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Governo pretende alertar sobre Amaranthus palmeri

Globo Rural

O Ministério da Agricultura (Mapa) pretende editar um alerta fitossanitário a respeito da Amaranthus palmeri, planta daninha com alto potencial de infestação que foi registrada pela primeira vez no Brasil há cinco meses. Apesar da precaução, o Departamento de Sanidade Vegetal (DSV) do Mapa, por enquanto, considera pequena a possibilidade de propagação da espécie para além das áreas onde foi encontrada e afirma que é baixo o risco de prejuízos à agricultura nacional.

“As características são de baixa mobilidade. Está em processo de erradicação pela defesa vegetal do Brasil. Em outras regiões, foi pedido um levantamento fitossanitário para identificar se houve dispersão”, garante o diretor do DSV, Luís Rangel. Ele não informa quando o alerta será publicado.

A presença da planta foi confirmada em junho deste ano por pesquisadores do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), depois que um tipo diferente e não controlado de caruru foi identificado durante um trabalho de rotina em lavouras "na região do núcleo algodoeiro Centro-norte". A espécie foi encontrada em 2014 e o processo de recebimento, separação, análise dos materiais, levou quase um ano, conta o pesquisador Edson Ricardo de Andrade Junior, um dos responsáveis pela pesquisa.

Diante da situação e “considerando o risco potencial para a economia” do estado, o Instituto Mato-grossense de Defesa Agropecuária (Indea-MT) divulgou normativa informando que tinham sido atingidas três propriedades nos municípios de Ipiranga do Norte e Tapurah. O documento lista também medidas de contenção, como arrancar e destruir as plantas e controlar a movimentação de máquinas e material biológico. E vem sendo feito um monitoramento em parceria com o governo federal. Pelos registros do Indea, até 31 de outubro, foram percorridas 1.027 propriedades de 43 municípios sem novos relatos de ocorrências da planta.

O fiscal federal agropecuário Dalci de Jesus Bagolin reforça, demonstrando otimismo, que a Amaranthus palmeri está em fase de erradicação. Na safra passada quando houve a detecção da planta, o objetivo era eliminá-la, explica o servidor do Ministério da Agricultura. No ciclo atual, a meta é controlá-la ainda na fase de pré-emergência. Estão sendo testados herbicidas, cujos nomes não foram revelados, e quando não há sucesso é feita a capina da área. Após a retirada, a planta é incinerada. “É um trabalho longo porque a expectativa é de que entre 70% e 80% do banco de sementes permaneça por cinco anos e depois precisa monitorar porque pode ter mais”, afirma.

Por enquanto, o Departamento de Sanidade Vegetal descarta a possibilidade de serem feitas autorizações emergenciais de herbicidas para controle caso a planta, de fato, venha a se espalhar. “Será possível utilizar os produtos já autorizados em processo de manejo integrado”, garante Luís Rangel.

Alerta constante

Apesar de a situação atual ser considerada sob controle pelas autoridades, pesquisadores ponderam que é importante manter o alerta ligado em relação à Amaranthus palmeri. É praticamente unânime a preocupação quanto ao seu potencial de trazer prejuízos. Eles chamam atenção para a necessidade de conhecer melhor seu comportamento nas condições brasileiras. “O que a gente tem é literatura americana e argentina porque eles identificaram o problema. Precisamos coletar dados e fazer ensaios”, afirma Edson Ricardo Júnior, do IMAmt. “Tem que trabalhar tanto com práticas de pré-emergência e pós-colheita quanto dentro do ciclo da cultura”, acrescenta o pesquisador.

Ainda pouco estudada por aqui, essa planta tem sido uma das principais preocupações da agricultura dos Estados Unidos. Trabalho de 2013 divulgado pela Sociedade de Ciência de Plantas Daninhas da América (WSSA, na sigla em inglês) indicam que, em 1995, atingia plantações de algodão nas Carolinas do Norte e do Sul, mas não aparecia na lista das dez maiores ameaças em outro estado. Hoje, é considerada a principal quando se fala em daninhas, podendo causar perdas de 80% a 100% nas lavouras da fibra, além de milho e soja.

O norte-americano Harry Strek, diretor da área de resistência de plantas daninhas da Bayer Cropscience, acredita que ela é a maior ameaça à agricultura do país dos últimos 10 anos. “É tão agressiva e cresce tão rápido que antes que o agricultor perceba, já tem um grande problema”, diz ele, acrescentando que a planta “que pode ser maior que um taco de beisebol” está em áreas importantes, como Illinois, Missouri, Iowa e Michigan.

Estudos indicam que ela é natural de regiões com solos áridos no território norte-americano e no México, tem tolerância à seca e se desenvolve bem em altas temperaturas. Tem taxas de crescimento entre dois e quatro centímetros diários. No campo, chega a ficar mais alta que a soja ou o algodão ou ainda concorrer com o milho. Os danos vão desde perdas de produtividade até inviabilização da colheita.

Entre as mais de 70 espécies do gênero Amaranthus de que se tem notícia, a palmeri faz parte das dioicas, em que masculino e feminino aparecem em indivíduos diferentes, sendo necessário o cruzamento. Além da diversidade genética, a polinização é alta, assim como a produção de sementes bem pequenas (um a dois milímetros) que varia, nas situações mais comuns, de 200 mil a 600 mil por planta. Mas há registros de até um milhão.

“Havia uma apreensão muito grande para evitar a entrada. Aqui, encontra ambiente propício. É de clima quente e nosso sistema de produção se adapta a ela”, afirma o especialista em plantas daninhas da Embrapa Soja, Fernando Adegas. “O foco agora não é só a área onde foi encontrada. A atenção deve ser permanente porque ela está também na Argentina e pode entrar por outro lugar”, diz, enquanto elogia o trabalho de controle que vem sendo feito em Mato Grosso.

Adegas conta que conheceu de perto a Amaranthus palmeri entre 2011 e 2012, durante uma pesquisa feita nos Estados Unidos e garante que foi uma das poucas vezes que se assustou com uma planta. Além da agressividade, chamou-lhe atenção a resistência que, conforme pesquisas, ocorre em relação a pelo menos cinco tipos de herbicidas, incluindo o glifosato. “Vi americanos com enxada na plantação de algodão”, relata, contando saber de pelo menos duas empresas do país se especializando em contratar trabalhadores para esse tipo de serviço.

A múltipla resistência reforça o alerta. A planta apareceu no Brasil em um momento de ampla discussão sobre a eficácia do manejo e a perda de eficiência de tecnologias de proteção aos cultivos. Nos campos e laboratórios, deve levar pelo menos dois anos para se produzir um volume de informações consistentes. “A gente não pode alardear demais, mas também não pode minimizar preocupação porque o problema é grave. Nas plantas daninhas, é o inimigo número 1”, diz o pesquisador da Embrapa. 

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