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01
OUT
Enfrentando geadas, família de cafeicultores verticaliza a produção no Paraná

Raphael Salomão
Globo Rural

O trabalho de Rogério Lopes vai além de tocar um negócio. Sua missão é manter uma tradição de família. Uma história iniciada no final da década de 20 pelo bisavô dele, que veio da Itália para o Brasil em uma época em que o fascismo como filosofia e regime de governo era emergente no território italiano e em outros países da Europa, crescendo em poder antes e perdendo força depois da Segunda Guerra Mundial.

A relação com a cafeicultura em solo brasileiro começou no interior paulista, mas logo migrou para o Paraná. Quarta geração da família de pequenos cafeicultores, Rogério administra junto com o pai, dois tios e dois primos uma propriedade de cerca de 180 hectares em Mandaguari, no noroeste paranaense, entre Maringá e Londrina. Ele praticamente nasceu no local, que tem um sistema de produção verticalizado, do plantio ao beneficiamento e venda do produto torrado e moído.

“Todo ano a gente vem crescendo e vemos demanda crescente, especialmente de pequenos mercados na região”, conta. Atualmente, a família beneficia e processa o equivalente a 400 sacas de café por mês. Até 2008, o volume não equivalia a mais de 50 sacas. O que hoje agrega valor ao café começou em 1994, em um esforço para se recuperar de um problema que todos os anos preocupa os cafeicultores paranaenses: as geadas.

Para um cafezal, dependendo da intensidade, o fenômeno caracterizado por fortes baixas de temperatura pode significar até perda total. No estado, há um sistema mantido pelo governo para alertar diariamente sobre a ocorrência. O serviço foi criado em 1995. Um ano antes, uma geada havia tirado a família Lopes temporariamente da cafeicultura. “As plantas foram cortadas a 20 centímetros do chão para brotar de novo. O pouco de estoque que tínhamos, torramos para obter um valor melhor”, conta Rogério, dizendo que, até então, o produto era comercializado apenas como commodity para cooperativas.

Foram dois anos até a lavoura se recuperar. Enquanto isso, a renda vinha do pouco estoque de café, que ainda conseguia atender à demanda, e de culturas anuais, como o feijão, plantado no meio dos cafezais. Mas a tecnificação não parou. De 1996, quando a colheita foi retomada, para cá, a família construiu uma estrutura com parte da lavoura irrigada, maquinário de beneficiamento, torra e moagem, uma cafeeira para comprar a produção de terceiros – consequência de uma perda parcial de lavoura causada por outra geada – produção própria de mudas e uma marca: Café Boa Esperança.

“Foi muito importante porque ampliamos as fontes de renda. Houve fases em que o café em pó não dava renda, mas a produção dava. E houve fases que ocorreu o contrário”, conta o empresário. Atualmente, a família vive apenas da renda gerada com a cafeicultura. A produção é vendida, especialmente, para pequenos supermercados da região e em feiras, pelo menos duas vezes por semana.

Neste ano, em que o Brasil produziu menos café por causa de problemas climáticos em regiões importantes para a cultura, Lopes tem uma expectativa, de forma geral, positiva em relação ao mercado de café. A preocupação é com o cenário econômico do país. Como produz café considerado de qualidade superior, a perda de poder aquisitivo da população tende a levar à procura por produtos de patamares mais baixos de preço, avalia, destacando a perspectiva de uma concorrência mais acirrada. “Como a gente industrializa, consegue deixar um preço mais em conta. Ainda não sentimos uma diferença grande no consumo, mas com a crise, o consumidor tende a olhar mais para o preço do que para a qualidade.”

Recentemente, o Café Boa Esperança passou a fazer parte das empresas paranaenses cadastradas no movimento Compre do Pequeno Negócio, iniciativa do Sebrae para incentivar a demanda por produtos dos empresários de menor porte. A expectativa é positiva, diz o empresário. No entanto, mais do que resultados em vendas, ele espera que o apoio influencie também o governo, para que adote medidas a favor da competitividade das pequenas empresas que, afirma, devem ter condições de comercializar seus produtos também para os grandes. “Os grandes estabelecimentos ainda não compram muito dos pequenos, principalmente por causa da burocracia e da tributação. Seria preciso ter um incentivo tributário para o grande varejista comprar do pequeno negócio”, defende o cafeicultor.

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