Você está em: Home, Noticias

Notícias

27
AGO
AgRural: queda da bolsa chinesa não trará prejuízo para soja

Estadão Conteúdo

Apesar do grande peso dos investidores internacionais nas negociações dos contratos futuros da soja e da influência dos fatores macroeconômicos sobre as cotações das commodities, a queda das bolsas asiáticas não deve causar prejuízos em longo prazo para os produtores do grão. A avaliação é do analista de mercado da AgRural Commodities Agrícolas, Fernando Muraro Junior, que participou nesta tarde do 5º Congresso Brasileiro de Fertilizantes. "O pessoal pergunta: 'O mercado acionário chinês vai derrubar o da soja?' Me parece um pouco simplista afirmar que sim", declarou.

Muraro lembrou que as importações chinesas de soja têm batido sucessivos recordes, ano após ano. Em 2015, o país asiático deve comprar 77 milhões de toneladas do grão. Em cinco anos, a perspectiva é de que este volume chegue a 96,1 milhões de toneladas. "Os números de importação são para lá de consistentes. Precisa haver um fator maior, mais macro, para abalar o consumo chinês da commodity", acrescentou.

Para o analista, contudo, as cotações da oleaginosa não podem ser avaliadas apenas do ponto de vista dos fundamentos. "A soja é um ativo financeiro, que independe do mundo real, da oferta e da demanda", disse Muraro. Como exemplo, ele comentou que, nos últimos anos, as cotações futuras do grão não têm acompanhado a lógica dos estoques. "Estoque alto não significa menor negociação de contratos em (Bolsa de) Chicago", disse. Apenas em outubro de 2014, segundo o analista, foram negociadas na CBOT 993 milhões de toneladas de soja, o equivalente a três safras mundiais do grão.

Na safra 2015/2016, as lavouras do grão poderão ser beneficiadas pelo fenômeno climático El Niño e atingir recorde mundial no ano que vem. Se a previsão se confirmar, os preços dos contratos futuros da commodity seriam pressionados. Caso os valores venham cair abaixo dos U$ 9 por bushel, os produtores arrendatários podem ficar "numa corda bamba", de acordo com o analista, por terem rentabilidade menor do que a dos proprietários de terras.

Muraro falou ainda que muitos produtores estão no limite dos custos de produção, arcando com altas no diesel, sementes, defensivos e fertilizantes - estes últimos variando ao sabor do dólar, que está sobrevalorizado em relação ao real. Proprietários no Paraná estão em situação melhor, mas os da Bahia e de Goiás, que sofreram com secas recentemente, vivem um momento difícil. "Se o preço da soja ficar abaixo de U$ 9 por bushel, há um enorme risco para algumas regiões do país." Em suas estimativas, as cotações da commodity, em 2016, podem variar de U$ 8 a U$ 12 por bushel em 2016.

Uma das sugestões dadas aos produtores durante sua apresentação foi tentar fugir das negociações no primeiro semestre e optar pelo segundo semestre do ano, quando os preços da commodity são mais remunerados.

Veja notícias

11
MAR

Brasil vendeu mais soja essa semana

27
FEV

Produção de soja gera renda e melhoria no solo para renovação de canaviais

20
FEV

Milho e soja tem alta na primeira quinzena de fevereiro

19
FEV

Milho: Bolsa brasileira abre a semana com preços em alta