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22
MAI
Torrefadoras que investem em cafés especiais ganham espaço

Ainda que nem todas consigam sobreviver, o "saldo" é positivo e tem correspondido à expectativa mineira de se fortalecer como polo de processamento de cafés de qualidade superior.

Dados da Junta Comercial do Estado apontam que, em 2008, foram constituídas 57 empresas do gênero em Minas. No mesmo ano, foram extintas 30 companhias. Em 2010, foram 58 aberturas e 30 fechamentos, e em 2011, 38 contra 22. A tendência perdurou no primeiro trimestre deste ano, mas com uma diferença menor. Foram abertas sete novas companhias de torrefação e moagem, e seis fecharam as portas.

O Sindicato da Indústria de Café de Minas Gerais (Sindicafé-MG) não tem dados atualizados, mas informa que há seis anos havia 280 empresas no segmento no Estado, responsáveis pela comercialização de 443 diferentes marcas. Segundo Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), em todo o país há cerca de 1,2 mil torrefadoras, 450 das quais com atuação no mercado de cafés finos.

Almir José da Silva Filho, vice-presidente do Sindicafé-MG, observa que, ao contrário de muitas torrefadoras médias que disputam mercado com grandes grupos, as empresas que trabalham com volumes pequenos, mas de alta qualidade, têm conseguido bons resultados em nichos de mercado.

É o caso da Unique Cafés Especiais, que quer fortalecer a marca sem pulverizá-la por todo o mercado. Seus produtos estão concentrados em aproximadamente 60 pontos de venda de cafés de qualidade superior no país, entre casas especializadas, empórios e cafeterias. Eles estão sobretudo nos Estados de São Paulo e Minas, onde está a loja própria da empresa, na cidade de São Lourenço, mas também são encontrados em Brasília, no Sul e em algumas capitais de Norte e Nordeste.

A Unique foi criada para abastecer o mercado interno e torrar o café de alta qualidade produzido pelo grupo Sertão, da família Dias Pereira, tradicional produtora de café em Carmo de Minas, pequeno município na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. A região está entre as maiores produtoras de cafés de alta qualidade do Brasil.

Em 2005, a empresa fez estudos de mercado e detectou a carência de cafés torrados de alta complexidade no mercado interno. E começou a torrar parte da produção em 2007 e direcioná-la ao mercado doméstico. Helcio Carneiro Pinto Junior, diretor-comercial da Unique, faz parte da quarta geração da família, que cultivou a primeira safra de café arábica em 1912. Uma parte do clã dedica-se ao grupo Carmocoffees, que exporta o café produzido por eles e por outras fazendas da região.

"Nosso foco é o cuidado, cliente a cliente, um trabalho artesanal, de altíssimo valor agregado e edições limitadas. Os maiores [grupos] estão interessados em volume, têm maior poder de barganha, mas não têm história para contar", afirma ele.

A Unique vende somente três blends especiais. São comercializados, em média, 2 mil quilos de café torrado por mês. Há cinco anos, quando a empresa iniciou as atividades, eram vendidos de 200 a 300 quilos mensalmente. O faturamento em 2011 foi de R$ 900 mil. E a perspectiva é crescer de 30% a 50% em 2012. A meta, segundo Helcio Carneiro, é respaldada pelo próprio mercado.

Para muitos produtores, o sucesso das empresas só é garantido quando o próprio cafeicultor, que conhece bem seus produtos, faz a torrefação. O novato Martins Café, que comercializa produtos especiais há seis meses, é um exemplo desse raciocínio. O proprietário e gerente-financeiro da empresa, Mariano Martins, explica que é muito difícil uma empresa ou cooperativa valorizar adequadamente o café, porque existem muitos lotes a serem analisados. Daí a escolha de torrar seus lotes especiais.

Martins é também da quarta geração de uma família de cafeicultores. Ele abandonou o trabalho no mercado financeiro para se dedicar à atividade. Hoje, a Fazenda Santa Margarida, em São Manuel, centro-oeste paulista, é a fornecedora da matéria-prima. Vão para a Martins Café apenas 20% dos melhores lotes produzidos na propriedade.

Inicialmente, a produção era "testada" pelos amigos de Martins. O produto começou a ser cada vez mais requisitado e, a partir daí, segundo ele, passou a ser encarado como mercado em potencial. Hoje o produto é comercializado em 31 pontos de venda, na capital paulista, interior de São Paulo, Paraná e Brasília. A empresa trabalha basicamente com duas linhas de produto: os cafés com especiarias (carro-chefe da empresa) e os grãos 100% arábica.

A meta é conseguir comercializar 90 toneladas por ano. Sem divulgar números, Martins diz que a empresa vem crescendo a taxas de três dígitos todo mês, mas a base de comparação ainda é pequena. O que diferencia a marca, segundo Martins, é a uniformidade dos lotes. "Nós queremos que o café servido ao cliente tenha a mesma qualidade em todos os lotes".

Fonte: Portal do Agronegócio

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