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21
MAI
Mercado de café: Grécia, produção, consumo e estoque

Há algum tempo que os mercados têm o receio da saída da Grécia da zona do Euro – talvez menos pelas consequências de perdas dos bancos do norte da Europa (na maior parte já materializadas), e mais pelo efeito de contaminação a outras economias que continuam sofrendo ao sul do velho continente.

Muitos dos analistas defendiam, e continuam defendendo, que isso não acontecerá, dado que seria um desastre para a moeda única. Entretanto notícias na semana de que o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia estariam desenhando planos para um eventual abandono do Euro pelos gregos, deixou todo mundo de cabelo em pé (os que ainda têm cabelo é claro).

Nesta nova rodada de incertezas as bolsas de ações derreteram, o dólar firmou, e os principais índices de commodities fecharam em baixa.

Pior ainda no Brasil onde o real sofreu mais uma forte desvalorização e o Bovespa perdeu 8.30% em cinco dias, pressionados pelo desconforto dos investidores de que o país pode estar relaxando demais para riscos inflacionários (nosso histórico não ajuda muito).

Com este panorama o mercado de café se comportou surpreendentemente bem, com o arábica subindo respectivamente US$ 2.65 e US$ 2.40 por saca em Nova Iorque e São Paulo, e o robusta em Londres apreciando US$ 5.10 por saca.

A razão aparente para a sustentação são as chuvas que caem em boa parte do cinturão do café em volumes acima do normal para a época, o atraso da colheita no Brasil, e produtores que tem um estoque de passagem baixo. Não custa dizer que uma leve cobertura de “shorts” dos fundos também deu uma mãozinha.

Novas estimativas de safra foram divulgadas pelo departamento de agricultura dos Estados Unidos (USDA), com destaque para o prognóstico da produção brasileira de 55.9 milhões de sacas para o ciclo 12/13. Segundo o órgão há 5.9 bilhões de pés produzindo no país, em uma área total de 2,13 milhões de hectares, com uma produtividade média de 26,34 sacas por hectare. A produção esperada do arábica é de 40,2 milhões de sacas, e do robusta 15,7 milhões. O USDA crê que o estoque de passagem deve ficar na casa 2,93 milhões de sacas. Tem muita gente que achou os números bem dentro da realidade... (feedbacks são bem vindos).

Informações de estoques nos países consumidores também apareceram na semana, estando os Estados Unidos com 4,55 milhões no final de abril, e a Europa com 9,39 milhões em 31 de março.

De Londres a OIC diz que em 2011 o mundo consumiu 137,9 milhões de sacas de café, e aos que acreditam na demanda inelástica a entidade diz ter havido queda de 2.6% do consumo espanhol e 1.8% na Itália – dois países que têm enfrentado problemas econômicos.

Em suma os números deixam a indústria menos ansiosa, e coincidentemente nos Estados Unidos os dois principais torrefadores anunciaram corte nos preços do torrado moído entre 6% e 10%.

Assusta e continua surpreendendo a queda acelerada dos estoques do robusta na LIFFE, assim como a firmeza do mercado londrino (inclusive com a inversão do spread), dos diferenciais no Vietnã e do próprio conillon no Brasil (apesar de o último estar em plena colheita). Se dados históricos servem para algo, podemos ver a arbitragem entre NY e Londres firmar ainda mais para os 40 centavos que vimos por muito tempo, o que pode vir tanto via um fortalecimento maior do robusta ou de um enfraquecimento do arábica.

Com a moeda brasileira tão mais fraca em tão pouco tempo, e a safra brasileira menos vendida do que na média estaria em anos normais, tudo indica que novas baixas estão por vir.

Tantos sinais negativos nos forçam a revisar o intervalo de preço que o “C” pode negociar no curto prazo. Se o real não voltar a firmar (e as chuvas pararem) creio que podemos ver os preços escorregar para próximo de US$ 160 centavos por libra e encontrar dificuldade de ir acima de US$ 180 centavos.

Quem disse que é fácil operar o mercado de café?

Uma excelente semana a todos e muito bons negócios.

Fonte: Archer Consulting

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