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Alimentos à base de milho fazem sucesso entre viajantes em Minas

Ricardo Welbert
G1 Centro-Oeste de Minas

O milho é um cereal cultivado em grande parte do mundo, devido às suas qualidades nutricionais. No Centro-Oeste de Minas, uma família produz várias iguarias a partir desse alimento há 17 anos. Os produtos fazem sucesso entre viajantes que passam pelo estabelecimento, montado às margens de uma rodovia.

O negócio começou na época em que José Antônio Luiz de Menezes e um primo plantavam milho juntos. Vendo o movimento na rodovia crescer, eles decidiram produzir pamonha para vender a quem passasse. O produto era levado para a beira da estrada em um carrinho de mão. Aos poucos, o cardápio foi se diversificando. Os lucros cresceram com a venda do mingau de milho verde. "Nossa situação foi melhorando e pouco tempo depois comprei um carrinho velho para carregar os produtos. Velho mesmo. Fomos crescendo e, depois, compramos um trailer", contou José Antônio.

A dona de uma empresa de ônibus ficou sensibilizada com a iniciativa dos empreendedores. Ela procurou José Antônio e se ofereceu para ajudá-lo, fornecendo insumos como canela e sacos plásticos. Ainda hoje, os motoristas da companhia param para lanchar no estabelecimento.

O investimento seguinte foi a aquisição de um trator ("tratorzinho velho", diz o empresário) para facilitar a produção do milho. "Certo tempo depois, um homem apareceu na fazenda oferecendo um trator novo, que eu poderia pagar em dez anos. Decidi comprar. Termino de pagá-lo neste mês de janeiro. Foi um ótimo negócio", explicou.

Na metade das prestações do trator pequeno, José Antônio e o primo decidiram entrar em um consórcio para adquirir um trator maior. "Na metade do pagamento do consórcio, meu primo inventou de ser cantor e saiu do negócio. Gravou um CD, mas não deu certo. Hoje, ele planta milho de novo, mas não é mais meu sócio", contou.

O atual sócio do empresário do milho é seu próprio genro: Marcelo Aparecido da Cunha. "Eu já havia sido sócio do José Antônio durante dois anos. Mas, decidi dar um tempo e ir trabalhar com calçados em Nova Serrana. Descobri que mexer com milho é um negócio melhor. Aqui, faço de tudo um pouco: serviço administrativo, braçal e atendimento aos clientes. Gosto de trabalhar com meu sogro. Como em qualquer sociedade, a parceria tem prós e contras. Mas é bem legal", comentou Marcelo.

Atualmente, os sócios plantam 12 hectares de milho. "É uma plantação parcelada. Plantamos um pouco por semana, porque tem o milho que precisa ser colhido no dia e tem o que é plantado no dia", detalhou José Antônio.

Comando da cozinha

A dupla de empresários não trabalha sozinha. Desde o início do negócio, um time de mulheres atua nos bastidores, produzindo os alimentos. A escalação atual inclui Eliana Araújo Menezes (mulher de José Antônio), Isabel Cristina Menezes Souza (filha dele) e Vanessa Cristina Menezes Cunha (filha dele e mulher de Marcelo).

A produção começa cedo, às 5h. As operárias selecionam as espigas de milho e levam o ingrediente para a cozinha. Elas se dividem para dar conta do recado. "A gente trabalha do início da manhã até 18h30. Fazemos em média 60 potes de mingau e 20 bolos por dia", explicou Eliana.

Com um trailer maior e mais espaçoso, o negócio à base de milho registra faturamento cada vez maior. Motoristas que decidem parar no ponto alugado no km 14 da BR-494, entre Divinópolis e Nova Serrana, aprovam o cardápio, que inclui pamonha, mingau, bolo, chup-chup e até suco de milho verde.

José Antônio se orgulha ao falar da clientela fiel. "Tenho fregueses de todo canto. Dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso. Muito caminhoneiro liga e fala que vai passar aqui em determinada data e levar uma quantidade maior de suco de milho. A gente prepara e deixa o produto na geladeira, esperando pelo comprador", conta José Antônio.

Recentemente, um casal do Rio encomendou 150 unidades de pamonha pequena, para servir aos convidados de seu casamento. Há também a mulher de um médico que busca pamonha e bolo para agradar ao marido.

Palavra de consumidor

No dia em que a reportagem do G1 visitou o Tudo do Milho, o movimento era intenso. O pedreiro Paulo Henrique Santos Viana estava lá. "Costumo parar aqui de duas a três vezes por semana, para comer bolo de milho. Também levo um pouco para casa", contou.

O motorista Wilson Gomes da Silva mora em Divinópolis e tem um sítio perto de Pitangui. Quando vai para lá em busca de descanso, faz escala no Tudo do Milho. "Faz uns 12 anos que passo aqui. Paro para tomar um café, comer pamonha e milho cozido", revelou.

Herilene Guedes Vieira, que trabalha em uma fábrica de calçados, estava lá pela terceira vez. "Gosto muito da pamonha deles", explicou.

A auxiliar de administrativo Edilene Guedes conhecia o Tudo do Milho pela primeira vez. "Comi um bolo de milho verde delicioso. Achei o ponto muito bacana, com um atendimento muito bom", comentou.

Planos

O negócio bem nutrido deve crescer nos próximos anos. A família prepara outro ponto à beira da estrada, perto do atual. "Vou fazer um trevo em um terreno que é meu, onde fica o acesso à nossa fazenda. Vai ficar uma praça bem maior do que a atual. Mas, eu não vou tirar o trailer de uma vez. Vou mudar de lugar aos poucos, para que todos saibam do novo ponto", detalhou José Antônio.

Trabalhando com empenho e dedicação todos os dias, faça chuva ou sol, a família do milho planeja continuar no negócio por muito tempo, conquistando o público com sabor e muita simpatia.

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