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17
JUL
Exportação de soja supera negócios registrados com minério no 1º semestre

Marinella Castro
Estado de Minas

Com o trágico desfecho da Copa do Mundo para o futebol brasileiro, quem conseguiu mostrar um bom drible no primeiro semestre foi o agronegócio brasileiro. Os resultados da balança comercial do país, medidos de janeiro a junho, mostram que os produtores de soja marcaram gol decisivo para classificar a oleaginosa como campeã das exportações. Nos primeiros seis meses do ano, a soja em grão consolidou-se como o principal item das vendas externas do país, superando pela primeira vez em um semestre o minério de ferro. As exportações de café, beneficiadas pela valorização de preços a partir do início do ano, e também das carnes, contribuíram para puxar para cima os resultados.

Estrela da balança comercial, os embarques da soja para o exterior, de janeiro a junho, totalizaram US$ 16,1 bilhões, alta de 17,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Se considerado o complexo do grão, as exportações foram de US$ 20,1 bilhões. Já as vendas de minério de ferro para outros países tiveram queda de 5,4% na comparação semestral, somando US$ 14 bilhões.

O bom momento da agricultura brasileira é atribuído à safra recorde de grãos e também ao crescimento do uso da tecnologia. No Noroeste de Minas, onde as culturas de soja, milho e feijão dominam a produção agrícola, a modernização da lavoura é apontada como fator decisivo para os resultados. “Há 10 anos, a produtividade na região correspondia a 30 sacas de soja por hectare. Hoje, é o dobro disso e em cinco anos poderemos alcançar 100 sacas. Para isso, precisamos contar com uma política firme para exportações e garantia de preço”, aponta Valter Tomáz Corrêa, diretor do Sindicato Rural de Unaí.

A Confederação da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil (CNA) associa o bom desempenho das exportações à safra recorde do grão, de 86 milhões de toneladas, o que compensou a redução de preços gerada pela maior oferta mundial do produto. O principal destino das exportações em volume foi a China. Os embarques para o país asiático subiram 15,4% na safra 2013/2014 em relação à safra anterior, passando de 59,8 milhões para 69 milhões de toneladas.

Diferenças

Na balança comercial mineira, o complexo da soja ocupa o segundo lugar. Apesar do crescimento acumulado no ano até junho, de 3,2% frente ao mesmo período de 2013, alcançando US$ 579,7 milhões na comparação semestral, no estado, o líder da balança continua sendo o café. De janeiro a junho, o grão verde foi responsável por exportações no valor de US$ 1,78 bilhão, resultado 12,1% superior ao mesmo período do ano passado. João Ricardo Albanez, superintendente de Política e Economia Agrícola da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG), considera que a expectativa é que o agronegócio mineiro feche a balança comercial de 2014 com crescimento próximo a 6%.

“Conseguimos realmente um bom desempenho nesta safra, mas a questão da soja é cíclica. Ainda aguardamos pela definição da safra americana em meados de agosto para ter perspectivas mais concretas sobre os preços do grão e o melhor momento para comercializar a safra”, diz Claudionor Nunes, produtor de soja no Triângulo Mineiro. Ele acredita que na próxima safra o resultado brasileiro para o grão pode ser ainda maior. Ele lembra que se não fossem os efeitos climáticos nesta safra o Brasil poderia ultrapassar os Estados Unidos, maior produtor mundial de soja. Chegou perto.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, adianta que no fim do ano a expectativa é que o complexo da soja feche a balança comercial com a movimentação de US$ 500 milhões à frente do minério de ferro. “Cerca de 75% da soja em grão brasileira já estava embarcada até junho.” Segundo o especialista, houve antecipação dos embarques para aproveitar os melhores preços. A cotação do grão era de US$ 530 a tonelada, e caiu para US$ 450. “A queda deve-se à perspectiva da boa safra americana, que fará a oferta mundial crescer.”

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