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15
MAI
Brasil exporta mais café e, por ora, reverte alta de preços globalmente

Leslie Joseph
The Wall Street Journal

Está na hora de comprar café.

O aumento no preço do café no mercado global tem estimulado os produtores e negociadores brasileiros a exportar mais grãos. Esse aumento já contribuiu para reduzir os preços em 14% desde o pico atingido no mês passado, o maior em 26 meses. Mas as exportações têm reduzido os estoques, preparando um cenário para um possível aperto no fornecimento e outra rodada de alta nos preços no fim deste ano, dizem operadores e investidores.

Os preços do café subiram 63% este ano, reflexo da forte seca que atingiu a principal região brasileira produtora dos grãos do tipo arábica, apreciados pelo seu sabor suave. Os contratos de café para entrega em maio fecharam ontem em US$ 1,8075 a libra na bolsa americana ICE Futures.

Alguns torrefadores de pequeno porte já aumentaram os preços no atacado, enquanto grandes vendedores de café, incluindo a Mondelez International Inc. afirmam que podem ser forçados a fazer o mesmo no varejo.

Andrea Illy, diretor-presidente da torrefadora italiana illycaffè SpA, disse em entrevista ao The Wall Street Journal que a empresa está "tentando absorver esse choque extra [no preço] e não descarta elevar os preços. O preço do arábica "acima de US$ 2 a libra será uma preocupação", diz ele.

Muitos produtores e negociadores brasileiros aproveitaram a alta nos preços para desovar grãos que tinham armazenado no ano passado, quando os preços do café atingiram os valores mais baixos em mais de seis anos. As exportações brasileiras de café não torrado subiram 15% este ano até abril, em comparação com o mesmo período do ano passado. As exportações, as maiores para o período nos últimos cinco anos, foram quase que integralmente do volume estocado, já que os produtores só começaram a colher a nova safra do café arábica em abril.

O Brasil, o maior produtor mundial de café, terá dificuldade de manter o ritmo acelerado das exportações já que os produtores dilapidaram seus estoques, dizem analistas. Produtores e negociadores provavelmente vão usar quase todo seu estoque em questão de meses, já que a previsão é que a seca prejudique a produção dos próximos anos. Uma queda na quantidade e na qualidade da safra brasileira pode elevar os preços para US$ 3 a libra neste ano, diz Judy Ganes, presidente da J Ganes Consulting LLC.

"A qualidade da safra será terrível", diz ela. "Não há café suficiente [no mercado] para compensar isso."

O tempo quente e seco atingiu as plantações de café justamente quando justo quando os grãos estavam maturando, atrapalhando seu crescimento. A seca também chegou num momento em que os produtores estavam com um grande número de plantas jovens, que são mais vulneráveis.

Paula Paiva, que faz parte da quinta geração de uma família produtora de café, diz que os cafezais jovens ocupam uns 17% dos 150 hectares de árvores de café que a família possui na fazenda Recanto, em Minas Gerais, o maior estado produtor do grão arábica do país. Segundo ela, a média anual de produção é de 5.000 sacas, mas este ano deve cair entre 20% e 30%. Paiva disse que tem 70 sacas de café estocadas, em comparação a 3.000 no início do ano.

Segundo a Organização Internacional do Café, o mercado pode atingir um déficit na safra 2014-15, o que significa que provavelmente não serão produzidos grãos suficientes para atender a demanda.

Investidores no mercado futuro de café, que movimenta US$ 11,2 bilhões anualmente, estão se preparando para uma queda na produção brasileira neste ano e no próximo.

Mike Seery, presidente da Seery Futures, corretora de Plainfield, no Estado americano de Illinois, disse que compraria contratos futuros caso os preços caiam mais. Ele acredita que os preços devem cair no curto prazo, à medida que os negociadores lucram e esperam informações sobre a safra brasileira. Seery acredita que o preço do café atingirá US$ 3 a libra até o fim do ano, à medida que o impacto da seca no longo prazo se torne claro. "O efeito desta seca irá durar alguns anos", diz.

Certamente, a dimensão total do dano à safra de café do Brasil ainda não está claro. A produção da Colômbia, segundo maior produtor mundial de café arábica, que teve um clima melhor, está crescendo.

Alguns analistas argumentam que os negociadores já estão levando em conta uma safra brasileira menor.

"Eu acho que, a esse ponto, a maior parte das notícias ruins sobre a safra brasileira já está [refletida] no preço", diz Christopher Narayanan, diretor de pesquisa de commodities agrícolas do Société Générale SA.

Ainda assim, os produtores brasileiros não estão dando muitas esperanças de alívio.

"No próximo ano pode ser pior", diz Paiva.

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