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22
NOV
Cafeicultores brasileiros desamparados frente à queda dos preço do café arábica

AFP

Os galhos negros e secos, queimadas pelo sol, se quebram entre os dedos do engenheiro agrônomo e revelam grãos de uma cor verde pálida.

"É um bom café, deveria estar no secador, pronto para a exportação", lamenta Celsio Scanavachi, técnico da cooperativa Coopinhal, no norte de São Paulo.

Contudo, a seu redor os arbustos ainda estão cobertos de grãos negros. "A produtora abandonou 40% da colheita, porque o preço da venda não compensa o custo da colheita", explica.

As perspectivas de produção recorde nos principais países produtores de café do mundo - Brasil, Colômbia, Vietnã - derrubaram a cotação do café arábica há várias semanas.

No dia 7 de novembro, a libra de café foi cotada em Nova York a 1,0095 dólar, o preço mais baixo em sete anos.

No Brasil, maior produtor e exportador de café do mundo, os cafeicultores ganham 95 dólares por saco de 60 quilos, enquanto os custos de produção superam os 151 dólares nesta região do estado de São Paulo, Espírito Santo do Pinhal.

"Com as leis trabalhistas da época do Lula, os custos salariais explodiram", disse Daniel Bertelli, gerente da Coopinhal.

"Os grandes cafezais, mais ao norte, podem mecanizar a colheita e produzir por 280 reais, mas aqui os lotes são menores e ondulados. Os produtores continuam porque não têm opção, mas se afundam em dívidas", acrescenta.

Falta de dinheiro para produtos fitossanitários

Os problemas financeiros prejudicam a qualidade dos cultivos.

Ao agitar os galhos dos pés de café, Celsio Scanavachi provoca o voo de dezenas de pequenas mariposas. "Este parasita teria desaparecido se tivéssemos pulverizado inseticida a tempo, mas falta dinheiro para comprar produtos fitossanitários", explica.

Segundo a Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda), os cafeicultores brasileiros devem vender 77% a mais de café que em 2011 para comprar uma tonelada de fertilizante.

O agrônomo colhe também grãos manchados. "É um besouro que põe ovos na fruta", disse.

"Com todo esse café abandonado, prolifera, e isso afetará a próxima colheita".

"Corremos sérios riscos de retroceder uma década, com uma qualidade medíocre e mais doenças", indica Scanavachi. "Muitas fazendas familiares desaparecerão nos próximos anos", projeta.

Política de preço mínimo

Para apoiar seus 290.000 cafeicultores, o governo brasileiro propõe, desde agosto, comprar o café arábica a 132 dólares o saco. Também pratica uma política de preço mínimo a termo: se a cotação permanece baixa, os três milhões de sacos em questão serão comprados dos cafeicultores a 149 dólares cada um em março de 2014.

"É melhor que o preço do mercado, mas isso nos deixa em falso com nossos exportadores", disse Daniel Bertelli.

Várias cooperativas reclamam também das facilidades bancárias por parte do governo. "Se os produtores estivessem menos estrangulados pelas dívidas armazenariam seu café esperando que as cotações subam", afirma o gerente de Coopinhal.

Contudo, os analistas não esperam aumentos a curto prazo.

Estimulados pelos elevados preços dos últimos anos, os produtores do mundo inteiro plantaram novos cafezais enquanto o Brasil e a Colômbia realizaram enormes investimentos para ganhar produtividade.

"Contrariamente a cultivos como a soja, após a colheita do grão, o pé de café não é replantado a cada ano. Pode levar muito tempo antes que a oferta diminua por causa dos baixos preços", informa à AFP Thomas Pugh, economista da consultoria Capital Economics.

"Como o excedente da oferta crônica deve continuar até 2014-2015, os preços vão continuar sob pressão, em uma margem de 90 a 120 centavos de dólar a libra", avalia Kona Haque, analista chefe para matérias-primas agrícolas de Macquarie.

A Organização Internacional do Café (OIC) estima que entre outubro de 2013 e setembro de 2014 a oferta mundial de arábica superará a demanda de quatro milhões de sacos (240.000 toneladas).

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