Você está em: Home, Noticias

Notícias

08
NOV
Chineses dão preferência à soja do Brasil

Valor Econômico

A China acenou ao Brasil que planeja adotar como política de governo a decisão de comprar mais soja brasileira e menos dos Estados Unidos. Segundo relatos de participantes da grande reunião bilateral anual realizada ontem em Cantão, o vice-primeiro-ministro chinês, Wang Yang, disse que o tema será examinado na plenária do Partido Comunista, entre os dias 9 e 12.

"A promessa é que eles vão comprar mais soja do Brasil. Isso foi repetido duas vezes", confirmou o vice-presidente da República, Michel Temer, que liderou a delegação brasileira. Para o governo chinês, é um dos sinais do interesse do país de continuar ampliando os negócios com o Brasil na área agrícola. Pequim precisa continuar importando cada vez mais produtos como soja e milho para atender à demanda doméstica.

No caso da soja, a China também tem em vista, com a promessa ao Brasil, a tendência de avanço da produção brasileira e de desaceleração da oferta americana, em detrimento do milho. Nesta safra 2013/14 - em fase de colheita no Hemisfério Norte e de plantio no Hemisfério Sul -, o Brasil já tende a superar os EUA na produção e nas exportações da oleaginosa.

Conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a China representou 61% da receita total das exportações de soja e derivados (farelo e óleo) do Brasil entre janeiro e setembro deste ano. No período, essas importações chinesas somaram US$ 16,8 bilhões.

Essas compras, contudo, são concentradas no grão, e não nos derivados, de maior valor agregado. Por questões econômicas estratégicas, a China estimulou nas últimas décadas pesados investimentos estrangeiros na construção de unidades de processamento da matéria-prima em seu território. Grande parte de sua oferta doméstica de farelo e óleo, portanto, já é doméstica.

Ao mesmo tempo em que acena ao Brasil, empresas chinesas recentemente assinaram acordos com exportadores dos EUA para comprar 4,8 milhões de toneladas da soja americana, por cerca de US$ 2,8 bilhões. Segundo analistas, esse volume de soja americana será transportada na safra atual, antes que a próxima colheita da América do Sul entre no mercado, no primeiro trimestre do ano que vem.

No encontro bilateral de ontem, também foi assinado o protocolo fitossanitário que pavimenta o terreno para exportadores brasileiros de milho terem acesso ao mercado chinês. Estima-se o potencial de embarques em pelo menos 10 milhões de toneladas por safra, ou cerca de US$ 2 bilhões a preços atuais, como informou ontem o Valor.

O governo chinês insistiu que deseja explorar com o Brasil maneiras de promover o comércio bilateral direto de commodities agrícolas, sem a intermediação das tradings tradicionais.

Nesse cenário, Pequim informou que planeja enviar uma missão para a aquisição de mais soja no Brasil em 2014 e pediu apoio de Brasília. O lado brasileiro respondeu positivamente. Disse que apoiará qualquer missão da China nesse sentido e indicou a importância de companhias chinesas investirem na cadeia de produção da soja no Brasil.

Mas as autoridades brasileiras explicaram a importância das tradings tradicionais para os exportadores agrícolas em termos financeiro e de apoio logístico. Ou seja, a mensagem de Brasília foi que não existe impedimento legal para o comércio direto ocorrer, mas que não pode impedir a ação das tradings.

O fato é que a proposta chinesa de "cooperação em agricultura" com o Brasil, um "pacote" que cobre comércio direto, investimentos e intercâmbio empresarial no setor, visa consolidar e ampliar o espaço já conquistado nas transações com o país. Segundo a delegação brasileira, a estratégia chinesa pode gerar investimentos também em logística.

A delegação sugeriu que as empresas chinesas ampliem e diversifiquem seus aportes no Brasil, inclusive nas zonas de processamento de exportação (ZPE), onde é possível trabalhar com produtos agrícolas - e praticamente livre de impostos. O Brasil tem várias ZPEs aprovadas, mas apenas duas funcionando, no Ceará e no Acre. Uma terceira poderá estrear no curto prazo no Piauí.

Veja notícias

05
FEV

Ministra afirma que café será prioridade na agenda do Governo

15
JAN

Qualidade dos cafés brasileiros melhorou, diz pesquisa

07
JAN

Soja: cuidados na fase de florescimento podem incrementar colheita em 30%

26
NOV

Safras eleva previsão de produção de soja 18/19 do Brasil a recorde de 122,2 mi t