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28
OUT
Milho superou a produção de soja no Brasil

Cruzeiro do Sul

O município de São Desidério, na Bahia, obteve a maior receita agrícola em 2012, desbancando Sorriso, no Mato Grosso, que até então se posicionava na liderança. O ano de 2012 também marcou mudanças no cenário das culturas, uma vez que a produção de soja deixou de ser a principal do País e foi superada pela de milho, que teve como impulso a expansão da segunda safra.

Grãos e matérias-primas sofreram com períodos de estiagem e adversidades no clima: 41 das 64 culturas investigadas registraram queda na produção. Os dados são da pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM), referente ao ano passado e divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

São Desidério é líder na produção de algodão e respondeu por 12,4% do volume colhido da matéria-prima no Brasil em 2012. Apesar dos prejuízos provocados pela seca, o aumento de preços no mercado elevou a receita obtida com o algodão. Assim, o município conseguiu uma boa ajuda para expandir em 35,2% o total do valor de sua produção no ano passado, para R$ 2,328 bilhões (1,1% do total arrecadado no Brasil).

Apesar de ter perdido o primeiro posto, Sorriso não ficou muito atrás. Logo na segunda colocação, ele tomou a dianteira nas safras de soja e de milho (as duas principais culturas do País). No ano passado, o município faturou R$ 2,066 bilhões com a produção agrícola, 1% do total nacional.

Milho

O preço mais elevado do milho atraiu os produtores e fez que o grão superasse a soja em volume no ano passado. Só no município de Sorriso, que teve a maior safra, a expansão da produção foi de 124,6%, para 1,998 milhão de toneladas do grão.

No total do ano passado, o Brasil produziu 71,072 milhões de toneladas de milho (27,7% a mais do que em 2011). Mais da metade desse volume veio da segunda safra, que pela primeira vez na história superou a primeira. Nos destaques estaduais, Paraná segue como líder, respondendo por 23,3% da produção nacional, seguido por Mato Grosso, com 22% de participação.

Prejudicada pela seca, a soja deixou o posto de principal cultura em 2012. A safra foi de 65,848 milhões de toneladas, 12% menor do que no ano anterior. Nem a expansão da área destinada ao grão foi suficiente para evitar a queda.

Mesmo municípios líderes sentiram os efeitos da falta de chuvas. Sorriso, que respondeu por 3% da produção nacional de soja, viu o volume minguar para 1,961 milhão de toneladas, uma queda de 6,1%. Entre os Estados, o Rio Grande do Sul teve o maior prejuízo e perdeu quase metade de sua produção, caindo da terceira para a quarta posição. A safra em 2012 ficou em 5,945 milhões de toneladas (9% do total), contra 11,717 milhões de toneladas no ano anterior. O líder é o Mato Grosso, com participação de 33,2% no total nacional.

A seca ainda varreu as produções de arroz (-14,3%), feijão (-18,6%), mandioca (-9,1%) e cana-de-açúcar (-1,8%). No caso da cana, foi a primeira queda em 12 anos. A laranja também teve produção inferior à de 2011, em 9,1%, mas as influências vieram da crise na Europa, das sanções impostas pelos Estados Unidos e do ataque de algumas pragas nos laranjais. Na contramão, a produção de café cresceu 12,5% em 2012.

Concentração

A produção agrícola brasileira ainda é bastante concentrada, informou o IBGE. São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Paraná, os quatro maiores Estados (nessa ordem), responderam juntos por mais da metade de toda a receita de 2012. Eles ficaram com 55,4% do valor total, que foi de R$ 203,955 bilhões.

A concentração também é verificada entre as culturas. "Em alguns Estados, a agricultura está concentrada em poucos produtos, o que pode trazer sérios prejuízos em caso de intempéries ou queda nos preços", advertiu o instituto. A soja é o principal produto em nove Estados, enquanto a cana-de-açúcar domina em seis. Em Alagoas, por exemplo, a matéria-prima respondeu por 86% da receita no ano passado. Já a soja foi responsável por 57,4% do valor de produção do Mato Grosso.

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