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06
JUN
Diabrótica afeta até 50% da produtividade de milho

Portal do Agronegócio

Uma larva que ataca a raiz da planta do milho tem tirado o sono de muitos produtores dos Estados do Paraná e do Rio Grande do Sul: a Diabrótica, uma das principais pragas da cultura do milho, também conhecida como ‘vaquinha’, ‘patriota’ ou ‘brasileirinho’. Suas larvas são subterrâneas e se alimentam das raízes, danificando-as e reduzindo a capacidade de absorção de água, nutrientes e aumentando o tombamento das plantas.

A Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) e a Associação dos Produtores de Milho do Rio Grande do Sul (Apromilho/RS) ouviram os especialistas José Magid Waquil, PhD em Entomologia, e Paulo Afonso Viana, da Embrapa Milho e Sorgo, que alertam os produtores sobre os riscos que a larva da Diabrótica (ou larva alfinete) oferece para as lavouras.

Na cultura do milho, a fase larval da Diabrótica é a mais prejudicial, pois é após a eclosão das larvas no solo que elas buscam por alimento (nesse caso, a raiz do milho). Como esse ataque ocorre abaixo do nível do solo, nas raízes do milho, na maioria das vezes sua presença não é percebida pelo agricultor. As larvas têm cor esbranquiçada, corpo cilíndrico e as extremidades pretas.

O entomologista José Waquil explica as dificuldades que os produtores encontram para atingir a praga nesta fase. “Devido à dificuldade de atingir as larvas, o uso de inseticidas tem baixa eficiência e ainda é pouco utilizado no Brasil”, diz. Ele ressalta ainda a importância da raiz para a planta. “Por meio da raiz, a planta do milho absorve água e nutrientes para o seu desenvolvimento e mantém fixação no solo.”

Paulo Viana, da Embrapa Milho e Sorgo, destaca que, como a larva da Diabrótica é uma das principais pragas subterrâneas da cultura do milho, os produtores devem ficar atentos. “No Brasil, ainda existem poucos estudos sobre como combater o problema. Em outros países que enfrentam a praga, as informações são mais abundantes. A Embrapa Milho e Sorgo vem desenvolvendo um projeto de manejo, controle e monitoramento para dar suporte aos produtores”, ressalta Paulo.

Impacto na produtividade

Quanto mais as larvas se desenvolvem, mais graves e visíveis se tornam os danos para as lavouras. Com a presença de chuvas e ventos fortes, as raízes danificadas não conseguem sustentar a planta e ocorre o tombamento, sintoma conhecido pelos agricultores como ‘pescoço de ganso’. “Essa é a maneira mais comum dos produtores fazerem o diagnóstico da Diabrótica, porém é tardia”, conta o presidente da Apromilho/RS, Cláudio de Jesus.

“Muitas vezes o agricultor leva de 50 a 60 dias após o plantio do milho para perceber a presença da Diabrótica em sua lavoura, quando a planta já está tombando. Quando isso acontece já não há mais medidas para controlá-la. Por isso, a importância de fazer o controle na época do plantio”, diz Paulo Viana.

O impacto que a larva da Diabrótica causa na produtividade das lavouras de milho varia de acordo com os danos provocados na raiz, por isso a importância de descobrir logo o problema. As perdas diretas podem ser de 5% a 50%, de acordo com a intensidade. “As plantas de milho são muito sensíveis aos danos nas raízes. Simples raspaduras podem reduzir até 5% da produtividade e, na coroa, três anéis de raízes destruídos podem levar a 50% de perdas. Porém, em casos de tombamento das plantas, podem chegar a 100%”, explica José Waquil.

Região Sul é a mais afetada

Segundo Cláudio de Jesus, devido à maior incidência da Diabrótica no Sul do País, os produtores da região já se apronfudaram mais no estudo sobre o problema. “Como a presença da larva tem crescido nos últimos anos, os produtores estão mais atentos para combatê-la no início e diminuir os riscos”.

A região é mais afetada pela praga, pois tem o solo rico em matéria orgânica e retém mais umidade, o que favorece a biologia das larvas. Além disso, características de clima e rotação de culturas favorecem o aparecimento da praga. “Em solos secos e bem drenados, como é o caso do cerrado brasileiro, a Diabrótica tem dificuldade para sobreviver”, explica Paulo.

Para Waquil, o crescimento da incidência da Diabrótica no Brasil está relacionado a vários fatores, entre eles o maior interesse do produtor pelo acompanhamento das lavouras devido à valorização da produção e aos ganhos em produtividade conseguidos com os investimentos em tecnologia. “O milho consolidou-se como uma cultura comercial, faz parte da pauta de exportação. Tudo isso deixou o produtor menos tolerante a perdas e acompanhando mais de perto a sua lavoura.”

Sobre as recomendações aos produtores que enfrentam infestações de larvas da Diabrótica, o especialista recomenda o controle preventivo, com base em análises do histórico da área e nas previsões do conteúdo de umidade do solo. “Independente de medidas de controle ter ou não sido tomadas, o monitoramento da incidência de adultos no campo nas primeiras semanas após a emergência das plantas, e da sobrevivência larval no campo pode ser uma estratégia importante para ter o histórico da área”, conclui.

Paulo Viana acredita que a biotecnologia pode apresentar boas soluções para o manejo da larva da Diabrótica, principalmente, na cultura do milho. “Novos eventos podem facilitar o trabalho dos produtores para combater essas pragas em suas lavouras”, finaliza.

Alysson Paolinelli, presidente da Abramilho, reforça a importância do papel da associação para levar esse tipo de esclarecimento e informação aos agricultores. “Temos que alertá-los sobre o problema e mostrar caminhos que os ajudem a resolvê-los. Não podemos deixar que a Diabrótica ganhe proporção e prejudique a produtividade”, afirma.

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