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31
MAI
PIB agropecuário tem maior alta desde 1998, com recorde da soja

Roberto Samora
Reuters

O Produto Interno Bruto da agropecuária cresceu 9,7 por cento no primeiro trimestre na comparação com o quarto trimestre de 2012, registrando a maior alta desde 1998 e sendo o maior destaque entre os setores da economia brasileira no período, com a força da safra recorde de soja.

O PIB agropecuário aumentou 17 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, com o aumento de produtividades de safras colhidas no primeiro trimestre, informou ainda o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

A produção de soja, o principal produto do agronegócio do Brasil, foi estimada pelo Ministério da Agricultura em 81,5 milhões de toneladas, crescimento de mais de 20 por cento na comparação com a temporada passada, quando uma severa seca afetou os cultivos especialmente no Sul do país e impactou negativamente o PIB do setor no primeiro trimestre de 2012.

"O principal item foi a soja, foi a safra excepcional que tivemos este ano, aliada à quebra de safra no ano passado. Tivemos uma base mais baixa no ano passado, e com essa safra que foi boa... Teve uma recuperação e um aumento de outras culturas, mas o principal item foi a soja, a nossa principal cultura", comentou o analista da MB Agro José Carlos Hausknecht.

Estimulados por preços recordes, os produtores ampliaram a área plantada em 2012/13 para um patamar recorde e, contando com um clima favorável, conseguiram obter boas produtividades. No caso do milho verão, o país também colheu uma de suas maiores safras, oficialmente estimada em 34,8 milhões de toneladas.

"Entre os produtos com safras significativas no trimestre e que registraram crescimento estão soja (23,3 por cento), milho (9,1 por cento), fumo (5,7 por cento) e arroz (5,1 por cento)", destacou o IBGE em nota.

O bom desempenho da agropecuária era previsto e foi destaque num PIB nacional que cresceu 0,6 por cento na comparação com o quarto trimestre, abaixo do esperado.

"É chover no molhado. É a confirmação de que é o negócio do país, que o agronegócio é, digamos, o grande negócio do país, o que faz a sustentação, quando se vê um índice de 17 por cento", disse o presidente da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho.

Pela metodologia do IBGE, o PIB agropecuário teve uma participação 5,2 por cento da soma das riquezas do país em 2012, levando em conta principalmente a produção primária no campo, mas sem incluir, por exemplo, indústrias do setor.

Por outro lado, a importância do setor aumenta para o Brasil, para cerca de 25 por cento do PIB nacional, quando se consideram no cálculo segmentos que vão da indústria de insumos agropecuários até a de processamento de carnes, destacou Carvalho.

"Quando se tem um crescimento da parte primária desse porte, isso impacta no agronegócio como um todo", acrescentou ele, dizendo ter "esperanças" de que a "mensagem" do PIB agropecuário seja absorvida, para que investimentos aumentem no segmento.

Investimentos são necessários especialmente em infraestrutura e logística, que são deficitárias e corroem os ganhos do agronegócio brasileiro. Exportadores estimam perdas de mais de 1 bilhão de dólares este ano por conta dos gargalos logísticos, que atrasam embarques e elevam custos das empresas.

PERSPECTIVAS

"Foi um crescimento de uma certa forma esperado (para o setor agropecuário), por conta da evolução da safra de grãos. A gente está tendo um bom crescimento de soja, de milho e sem falar de uma evolução mais favorável da cana", afirmou o consultor Fábio Silveira, da GO Associados.

A cana e a segunda safra de milho, com produções estimadas em recordes em 2013, deverão manter o fôlego do PIB agropecuário nos próximos trimestres, disseram os especialistas.

"Para frente, tem algumas perspectivas para a cana, aumento de 11 por cento na produção, o que deve puxar bastante, e o milho safrinha que vai crescer. A perspectiva é de produção boa, então esses são os dois principais itens que vão puxar o crescimento para frente", disse Hausknecht, da MB Agro.

O centro-sul do Brasil, principal região produtora de cana-de-açúcar, deverá moer um recorde de 589,6 milhões de toneladas da matéria-prima na safra 2013/14, contra 532,8 milhões de toneladas processadas na safra 2012/13, segundo estimativa da Unica, associação que representa a indústria.

"Acho que vai ter mais exportação (de açúcar), vai ter uma exportação semelhante de etanol. Claro que os preços estão um pouco menores, mas os volumes estarão presentes", disse Carvalho, que também é sócio-diretor da consultoria Canaplan, especializada do setor sucroalcooleiro.

"Se tem alguma coisa que vai dar resultado até o final do ano é o agronegócio, vai segurar esse rojão. O agronegócio vai crescer muito mais que outros setores", completou Carvalho.

No caso do milho segunda safra, as previsões indicam uma produção recorde de cerca de 44 milhões de toneladas, respondendo por mais da metade da produção total esperada para o país, de quase 78 milhões de toneladas, maior marca da história.

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