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29
ABR
Paraguai expande estrutura hidroviária para escoar safra recorde de soja

Globo Rural

O Paraguai deve produzir este ano uma safra recorde de soja. Sem saída para o mar, o país vizinho soube aproveitar os recursos do rio Paraguai para transportar a sua produção rumo ao mercado internacional.

Os silos paraguaios operam em capacidade máxima. Nas estradas, é um vaivém de caminhões. O Paraguai deve colher este ano a maior safra da sua história: 8,7 milhões de toneladas, segundo o Ministério da Agricultura paraguaio. Boa parte dos grãos tem como destino a exportação, um caminho longo baseado em grande parte no rio Paraguai.

Na região de fronteira com o Brasil, está a maior área produtora de soja. No município de San Alberto, está o agricultor Gilberto Beiguer. Ele é paraguaio, filho de brasileiros, e trouxe mil toneladas de soja em grão para um dos principais silos da região.

“A gente se instalou aqui já faz 35 anos e cada vez estamos gostando mais do Paraguai. Era bem difícil (escoar a produção) porque tínhamos poucos silos na região. Hoje temos bastante silos, algumas empresas multinacionais, cada vez com capacidade maior de receber nossos grãos e encaminhar para onde se escoa”, diz.

Para chegar ao mar, o país vizinho investiu pesado no transporte fluvial, pelo rio Paraguai, uma hidrovia que passa por cinco países. A nascente do rio fica em terras brasileiras, no município de Diamantino (MT). O rio só é navegável para grandes embarcações a partir de Cáceres (MT), mas por lá o terminal de grãos não está funcionando.

Embarques de soja só acontecem mesmo na Bolívia, onde fica o porto de Aguirre, localizado um pouco acima de Corumbá (MS). Rio abaixo, o destino das chatas é o porto de Assunção. Além da carga que vai descendo pelo rio Paraguai, também chegam centenas de caminhões das regiões produtoras de grãos.

Os caminhoneiros têm um papel muito importante no escoamento da safra no Paraguai. Por isso, a reportagem pegou carona com um motorista paraguaio pra entender melhor quais são as dificuldades que eles enfrentam na estrada.

O paraguaio Juan Ferreira é agrônomo por profissão, mas, há oito anos, decidiu investir em caminhões. É dono de três e trabalha com os irmãos. Sobre o trabalho, responde que "tem frete garantido por mais três meses”.

Juan Ferreira faz parte de uma cooperativa de caminhoneiros. A viagem até a capital exige muita atenção. Serão cerca de 340 km em pista simples e bastante disputada.

O porto de Assunção é um dos 40 em funcionamento hoje no país e o principal na operação de grãos. Um galpão em ruínas foi o primeiro porto do Paraguai, hoje desativado. Bem próximo de lá, ficam as instalações mais modernas do país.

As três rampas de elevação de caminhões funcionam o tempo todo. Entre subir, descarregar e descer, são cerca de seis minutos. Uma das vantagens deste porto é que o embarque dos grãos é feito dentro do rio. Assim, duas barcaças encostam, lado a lado, e ao mesmo tempo.

“Isso basicamente se traduz em agilidade. Hoje estamos demorando duas horas e meia para encher uma barcaça de 1.500 toneladas, e conseguindo embarcar mais de 12 mil toneladas no dia”, afirma Francisco Solano Arriola, gerente do porto.

As barcaças são fundamentais para o funcionamento da hidrovia. Cada uma transporta a carga de 50 caminhões. O projeto do porto é do jovem empresário paraguaio Fernando Frizza, que tem 40% da sociedade com uma multinacional. Segundo ele, foram de mais de 30 milhões de dólares em investimentos.

“Eu nasci neste bairro”, diz Frizza. “E este é um dos bairros mais pobres de Assunção. Unindo-se uma empresa multinacional a uma empresa paraguaia, estamos trazendo muitos benefícios".

A assessora da Câmara Paraguaia de Exportadores de Cereais, Sonia Tomassone, conta que, até sete anos atrás, o Paraguai não tinha mais que seis portos, mas a iniciativa privada multiplicou esse número.

De Assunção, os comboios carregados com grãos descem o rio Paraguai até entrar no rio Paraná, na Argentina. De lá, passam por alguns portos. Um dos mais importantes fica em Rosario, onde é feito o transbordo dos grãos para navios que seguem então para o Oceano Atlântico.

É assim que a soja produzida e escoada pelo Paraguai ganha o mundo e chega aos principais clientes na Europa, Rússia e Turquia. O Paraguai é o quarto exportador mundial de soja, atrás apenas dos Estados Unidos, Brasil e Argentina. Uma curiosidade: pelo menos a metade da produção é de brasileiros ou descendentes, os chamados brasiguaios. 

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