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23
ABR
AÇÚCAR: O mercado tem sempre razão

 

Por Arnaldo Luiz Corrêa
 
O açúcar em NY fechou a semana com mais uma baixa pressionando o mês de vencimento maio que caiu ao redor de 30 dólares por tonelada na semana. Todos os vencimentos que representam a safra do Centro-Sul (maio/2012 até março/2013) fecharam em queda acentuada de média de 28 dólares por tonelada. A 2013/2014 também sofreu queda de 15 a 22 dólares por tonelada. No entanto – e isso é muito importante – com o dólar forte a procura por NDF cambial aumentou e quem conseguir fechar às taxas que refletiam essa alta da moeda norte-americana, obteve uma rentabilidade sobre o custo médio de produção de 27%. Ou seja, a coisa não está tão ruim em reais para as usinas.
 
O mercado de commodities em geral sofreu enorme pressão durante a semana com a valorização do dólar, os problemas com os títulos do governo da Espanha e os balanços muito ruins dos bancos gregos. O açúcar não poderia ficar de fora dessa pressão nos mercados e negociou novas baixas colocando os preços bem próximos ao nível de suporte de 22 centavos de dólar por libra-peso no vencimento julho de 2012. O espancamento do açúcar, como acontece em qualquer commodity cuja oferta e demanda esteja em desequilíbrio, estressou além da conta.
 
Bom para os vendidos que não conseguem disfarçar o sorriso no canto da boca. Os especuladores saíram das posições compradas como uma horda de bois loucos. A posição dos fundos não indexados, com base no pregão de terça-feira passada, mostra que eles liquidaram metade das posições compradas (de 91,500 contratos reduziram para 46,500), os grandes fundos estão comprados 36,000 contratos, os fundos indexados estão comprados 255,000 contratos. Os comerc iais (consumidores industriais, tradings, usinas, etc) compraram 12,000 contratos e cobriram suas posições vendidas em outros 28,000. Ou seja, parece –últimas famosas palavras – que a temporada de sangue este chegando ao fim. Vamos conferir na segunda.
 
O valor mais baixo negociado nos últimos doze meses (de 1º de abril de 2011 para cá) foi 20,47 centavos de dólar por libra-peso no dia 6 de maio. As maiores baixas nos últimos cinco anos calendários: em 2007 e 2008, ocorreram no mês de junho; em 2009, no apogeu da crise financeira, janeiro foi o pior mês; em 2010 e 2011 foram em maio. E em 2012? Terá sido abril?
 
A última vez que o mercado negociou abaixo de 22 centavos de dólar por libra-peso foi em maio do ano passado e o preço mais baixo em reais de 2012 foi em fevereiro quando NY fechou a 23,48 com dólar a 1,7218; o preço nesta sexta-feira tomando a mínima do vencimento maio a 21,83 centavos de dólar por libra-peso com o dólar a 1,8791 mostra que haveria espaço para queda (21.00-21.50). Grande parte das usinas olha a fixação em reais por tonelada e com o dólar se valorizando como ocorreu esta semana há o impacto no preço da commodity.
 
Olhando por outro ângulo, a alta do ano foi 26,50 centavos de dólar por libra-peso em 27 de fevereiro com o dólar negociando a 1,7080; ajustando com o dólar de sexta-feira (1,8971) teríamos 23,86; ou seja, dos 465 pontos que o mercado derreteu desde o pico, 265 pontos foram de moeda (extrínseco) e 200 de fundamentos do açúcar, se pudéssemos definir assim. Difícil é convencer o fundo desta explicação. No frigir dos ovos, não fosse a desvalorização do real, o mercado em tese estaria apenas 200 pontos mais baixo. Será?
 
Nem sempre é fácil analisar o mercado pontualmente. Prefiro olhar o cenário com um pouco mais de horizonte. A China decepcionou o mercado pelas previsões de crescimento de “apenas” 8.1% este ano, mas estudos do FMI publicados nesta semana mostram que em 2013 o país poderá crescer 8.2%. A Índia, pressionando o mercado de açúcar com suas exportações autorizadas de 3 milhões de toneladas com mais um milhão aguardando aprovação, deve restringir eventuais rallies (subida repentina de preços) próximos ao custo de produção indiano que, de acordo com algumas fontes, estaria em torno de 23.50-24.00 centavos de dólar por libra-peso.
 
Temos falado aqui que 22 centavos de dólar por libra-peso é um forte suporte no preço em NY e deve ser entendido como uma excelente oportunidade de compra por parte dos consumidores e mesmo para as usinas que pretendem recomprar parte das fixações que já fizeram. As usinas mas afinadas com os custos acreditam que a partir de NY a 20 centavos de dólar por libra-peso vão optar por produzir mais etanol a açúcar.
 
A redução de juros no Brasil provocou uma desvalorização do real. Com isso, a usina recebe mais reais por dólar vendido pressionando as cotações em NY para as empresas do setor que pensam em reais (muitas). O mercado interno de açúcar continua caindo. E o externo, continua largado.
 
Um trader estava decepcionado: “CONAB solta uma safra de 562, o mercado cai; CANAPLAN solta uma safra de 470, o mercado cai. Assim não dá”, reclamava enquanto bebericava seu Blue Label entre baforadas de um legítimo Havana. A vida não está fácil mesmo.
 
A idade média do canavial no Centro-Sul está em 3,5 anos. A dívida média do setor, segundo um executivo da área financeira, é de R$ 100 por tonelada de cana. Os investimentos minguam. Não há expansão. Se a matemática não me falha a idade média do canavial o ano que vem sobe para 4,5 anos. Alguém acredita nessa curva de preços para 2013/2014? Só para aquecer o debate, nos últimos 6 meses, a soja foi a commodity agrícola que mais se valorizou. Captou a mensagem, Venerável Mestre?
 
O custo de produção do açúcar apurado pelo modelo da Archer Consulting, considerando o CONSECANA médio da safra e o dólar médio dos últimos 30 dias, está em 34,5052 reais por saca na usina, sem custo financeiro.
 
Conversei recentemente com um analista de crédito de uma empresa que financia usinas. Pergunto como ele classifica o crédito delas. “Aqui nós temos um processo que dá diversos níveis de risco, desde AAA até DDD”. Intrigado, pergunto: “DDD? O que significa isso?”. Ele explica sem vacilar: “Deve Dinheiro Demais”.
 
Tenham todos uma excelente semana.

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