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24
OUT
Pecuaristas revisam estimativas de confinamento para baixo com alta de grãos

Fabíola Gomes
Reuters

O salto nos preços de grãos está levando os pecuaristas a reduzir suas estimativas de confinamento para o próximo ano, segundo levantamento realizado durante o Rally da Pecuária, mostraram dados divulgados nesta terça-feira.

Segundo os dados levantados durante a expedição, que visitou propriedades em 9 Estados em áreas que correspondem a 75 por cento do rebanho nacional, o confinamento deve cair para 545 mil cabeças em 2013.

"Esta é uma estimativa inicial, que, claro, pode mudar, mas é uma indicação", disse André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult, uma das consultorias que organiza o Rally da Pecuária.

ABAIXO DO ESPERADO

Neste ano, diz ele, o confinamento cresceu 6 por cento, para 549 mil cabeças. Contudo, o número é bem menor que o percentual inicialmente esperado, de 18 por cento, justamente por conta do aumento dos preços de grãos, que afetou a segunda etapa do confinamento iniciada em agosto.

O confinamento é realizado durante os meses mais secos do ano, entre maio e setembro, quando a qualidade das pastagens é insuficiente para alimentar os animais em campo.

"A quantidade de animais engordados no sistema intensivo no segundo turno é que foi menor, pelo alto custo dos grãos e preços do boi gordo pouco atrativos", acrescentou Maurício Nogueira, sócio-diretor da Bigma Consultoria, a outra organizadora da expedição.

Os números, segundo eles, não podem ser extrapolado para o rebanho nacional, uma vez que refletem o cenário visto nas propriedades visitadas durante a expedição. O sócio-diretor da Bigma ressalta que será preciso atualizar a base de dados, considerando outros indicadores para apresentar um número de confinamento no país.

TECNOLOGIA

Outro dado levantado durante o rally mostra que o nível de tecnologia da pecuária vem aumentando gradativamente, para garantir maior rentabilidade ao produtor e competitividade frente à agricultura.

"A pecuária não está parada como muitos pensam ... está atrasada, mas está se movendo com a intensificação do uso de tecnologias. É nossa convicção depois de dois anos de rally", disse André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult.

Ele considera que o setor vive uma curva ascendente do uso de tecnologia, também em função da alta dos preços da terra em áreas agrícolas.

"Quanto mais alto é o ativo (terra) maior a necessidade de aumentar a rentabilidade, portanto é maior o atrativo para ceder área de pasto para agricultura", explicou.

Segundo ele, este cenário tem sido visto sobretudo em Goiás, Mato Grosso, Triângulo Mineiro. "São áreas em que a terra está mais cara e que a pecuária está presente, tem que acelerar o uso da tecnologia se não quiser perder para a agricultura", acrescentou Pessôa.

Os especialistas ressaltaram que a pecuária também está experimentando um cenário de concentração a exemplo do que tem sido nos frigoríficos, com as áreas menores sendo absorvidas por propriedades maiores, na tentativa de melhorar a rentabilidade.

O sócio-diretor da Bigma ressaltou que a expedição neste ano mostrou que mais área da pecuária deve passar para a agricultura neste ano, mas disse que ainda não é possível avaliar o tamanho disso.

Segundo Nogueira, o uso integração lavoura-pecuária é uma alternativa para muitos produtores que buscam melhor a qualidade dos pastos, mas ele alerta que nem sempre ela apresenta os resultados esperados, porque depende das condições de áreas específicas.

O levantamento mostrou que apenas 17,8 por cento das pastagens amostradas estão acima de 500 metros de altitude, quando normalmente as lavouras de grãos (milho e soja) ficam em áreas acima deste nível.

Segundo Pessôa, cruzando com os dados compilados com o Rally da Safra, entre 2006 e 2012, cerca de 63 por cento estão em áreas acima de 500 metros de altitude, onde tradicionalmente são obtidos os melhores níveis de produtividade.

Não basta dizer que a lavoura-pecuária é uma alternativa e deve ser aplicada em qualquer área, ela vai ocorrer sim, mas isso só nas áreas boas", disse Pessôa.

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