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OUT
Em 35 anos, produção de soja cresce quase 10 vezes e rebanho mais que dobra

Anderson Viegas
AgroDebate

Mato Grosso do Sul completou nesta quinta-feira (11), 35 anos de criação. Desde que o seu território foi desmembrado de Mato Grosso, em 1977, o agronegócio vem ajudando a alavancar seu desenvolvimento econômico. A produção agrícola teve um crescimento vertiginoso e os rebanhos bovino, suíno e de aves, mais que dobraram de tamanho neste período.

Segundo o Balanço Anual do Agronegócio Sul-Mato-Grossense (Infoagro), uma publicação da Famasul/Funar e Senar, a produção de soja, por exemplo, teve um crescimento nestes 35 anos de 880%, saltando de 472 mil toneladas na safra 1977/1978 para 4,628 milhões de toneladas, quase dez vezes mais, no ciclo 2011/2012.

O incremento na produção de milho foi ainda maior, de 3.354%, somando a produção no período de verão e a de inverno (safrinha). Na safra 1978/1979, os agricultores do Estado produziram 176 mil toneladas do grão e no ciclo 2011/2012 o volume chegou a 6,080 milhões de toneladas.

O agricultor Carmélio Roos, que acompanhou de perto toda essa evolução da agricultura sul-mato-grossense, diz que o crescimento poderia ter sido ainda maior. "Tivemos momentos de muitas dificuldades. Na época da criação do Estado havia muito crédito disponível. Com a desvalorização dos produtos e aumento do custo do crédito o setor entrou em crise e o governo federal adotou medidas muito duras", recorda.

Mas Ross, diz que os momentos difíceis acabaram ajudando o agricultor sul-mato-grossense a evoluir. "Hoje com a experiência que acumulou ao longo dos anos e acompanhando a evolução tecnológica do agronegócio, o agricultor está muito mais consciente e seguro no momento de tomar uma decisão sobre sua lavoura".

Entre as novas tecnologias que contribuíram para o grande aumento de produção do Estado, o agricultor cita com destaque a maior qualidade das sementes utilizadas, o uso de variedades mais precoces e de máquinas agrícolas mais modernas, a adoção de técnicas de cobertura de solo e plantio direto na palha, entre outras. "É lógico que surgiram também novos problemas, como a ferrugem da soja, mas isso está sendo contornado e com grande êxito", comenta.

Se na agricultura o crescimento da produção foi gigantesco, na pecuária, o rebanho bovino mais que dobrou de tamanho, contabilizando o período de criação do Estado até a atualidade. O Infoagro aponta que em 1977 Mato Grosso do Sul tinha 9,3 milhões de animais e que em 2012 o estimado é de 22,3 milhões de cabeças.

Ao analisar esse crescimento, o pecuarista Carlos Dupas, disse que no Estado os criadores não sofreram com o problema de endividamento enfrentando pelos agricultores e que a dificuldade enfrentada foi outra, justamente a da falta de crédito. "Tivemos dificuldades para crescer em virtude da falta de recursos".

Dupas lembra que os momentos de crises mais agudas enfrentadas pelo setor ocorreram em 1999 e em 2005, com a descoberta de focos de febre aftosa no rebanho sul-mato-grossense. "Foi um baque muito forte. A arroba caiu muito no Estado e mesmo depois dos focos terem sido controlados o preço demorou muito para se recuperar. Assim como para que o Estado readquirisse o status de área livre da doença com vacinação", recorda.

Atualmente uma das preocupações do setor, conforme o pecuarista é com o grande percentual de pastagens degradadas. "Hoje, praticamente metade das pastagens do Estado estão degradadas. É um problema sério e difícil de ser resolvido. Precisamos de recursos específicos para atacá-lo, porque nas áreas degradas a produtividade caiu muito", alerta.

Em contrapartida, Dupas, ressalta que além do crescimento em quantidade o rebanho bovino do Estado que já chegou a ser o maior do País, também cresceu em qualidade. "Atualmente não temos o maior rebanho, mas melhoramos muito a genética dos nossos animais. Graças a essa evolução genética que resultou em práticas como o cruzamento industrial, o tempo de abate que na época da criação de Mato Grosso do Sul era de cinco anos, caiu para dois ou três. Foi um grande ganho", concluiu.

Além do rebanho bovino, Mato Grosso do Sul contabiliza nestes 35 anos crescimentos expressivos do número de aves e de suínos. Na avicultura, a quantidade de animais passou de 2,7 milhões em 1981 para 25,7 milhões este ano, e na suinocultora de 545 mil para 1 milhão de cabeças.

Além das atividades tradicionais, o agronegócio sul-mato-grossense se diversificou. Ganharam destaque também os setores sucroenergético, com a produção de açúcar e etanol, e a silvicultura, com a produção de madeira para a fabricação de papel e celulose.

Prova disso, é que dos cinco principais produtos exportados pelo Estado entre janeiro e agosto deste ano, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), quatro são do agronegócio.

A soja aparece em primeiro, com US$ 638,1 milhões, o que representou 23,83% da receita total do Estado com as exportações no período. Em seguida vem o açúcar refinado de cana com vendas de US$ 326,4 milhões (12,19% do total), a carne desossada de bovino congelada com US$ 292,5 milhões (10,92%) em terceiro e em quinto lugar no top cinco, a celulose, com comercialização de US$ 273,2 milhões (10,20%).  

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