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AGO
Agronegócio teme que, por falta de um plano estratégico, o Brasil perca oportunidades

A área brasileira dedicada aos grãos cresceu mais de 10% e a produção aumentou perto de 30% na última década, mas esse avanço não expressou o potencial do país. Num cenário de preços recordes, as exportações batem no teto, pela disponibilidade limitada de produtos e por problemas logísticos, que vão da precariedade de rodovias e ferrovias às filas nos portos. Diante dessa contradição, a falta de uma estratégia bem definida para o agronegócio passou a ser apontada como a grande vilã. Caso nenhum plano seja colocado em prática, o Brasil pode perder a oportunidade de ampliar suas exportações, alerta uma série de discussões puxada na última semana pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

As questões de logística, que tiram a competitividade da produção brasileira, limitam por tabela a expansão das lavouras e a agregação de valor aos grãos, aponta Décio Luiz Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja e integrante do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb). “Apesar de o Brasil ter mais potencial, a Argentina teve taxas de crescimento maiores, considerando o campo e a indústria”, afirma.

A falta de matéria-prima para os biocombustíveis é um problema global. Até 2021, a produção mundial de biodiesel a partir de óleo vegetal deve cair 10%, aponta o presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, com base nas projeções da Organização para Cooperação e De­­­senvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Os grãos devem continuar sendo a principal matéria-prima da agroenergia, com 44% do total, seguidos pela cana (28%) e a celulose (10%).

Nesse contexto, Carvalho diz que o Brasil ainda não está preparado para atender a crescente demanda. Falta expandir as plantações e a infraestrutura necessária para armazenagem, escoamento, transporte e agregação de valor.

O problema, contudo, não se restringe a atuação governamental, argumenta Ivan Wedekin, diretor de commodities da BMF&Bovespa. O que a indicativa privada vem investindo é insuficiente, defende. André Müller Carioba, vice-presidente da indústria de máquinas AGCO, defende que o agronegócio não depende depender do governo para executar seus planos para se firmar como “motor do desenvolvimento”.

Segundo Wedekin, a ampliação do agronegócio brasileiro exige a própria elaboração de planos consistentes e abrangentes. “A tecnologia melhora os processos, mas não resolve tudo sozinha. Vamos precisar de mais terras, além de uma redução no custo dos produtores e do capital necessário para financiar essa expansão.”

Dependência da soja encarece biodiesel

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção de biodiesel tem aumentado desde 2007. No último ano, o volume chegou a 16,5 milhões de barris (4% no Paraná). A principal matéria-prima, no entanto, continua sendo a soja, que teve reajuste de 70% no último ano, chegando a média de R$ 65 por saca em mercados como o do Paraná. Programas com outras alternativas, como o pinhão-manso, a mamona, demoram a ganhar escala.

Como parte das estratégias para ampliar a produção de agroenergia do Brasil, especialistas presentes no 11.º Congresso Brasileiro do Agronegócio, em São Paulo, na semana passada, alegaram que a política do país centrada no tabelamento do preço da gasolina desconsidera a importância da produção dos biocombustíveis.

“As matrizes fóssil e renovável convivem bem em todo o mundo, e aqui não precisa ser diferente”, argumentou Marcos Lutz, presidente da Cosan. André Müller Carioba, vice-presidente da indústria AGCO, acrescenta que é preciso pensar em alternativas para o fornecimento de energia. “O Brasil precisa fugir da dependência do pré-sal, de achar que essa é a grande solução para tudo”, diz.

James Fry, presidente da LMC International, defende que o país precisa entender a dinâmica de preços dos derivados de petróleo para fazer projeções mais precisas sobre o mercado de biocombustíveis. “No exterior, as empresas sabem antecipadamente o consumo de etanol e biodiesel para os próximos 12 meses. Trabalha-se com o gap entre diesel e biodiesel”.

Fonte: Gazeta do Povo // Igor Castanho

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