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25
JUL
Vendas de milho do país indicam recorde; há desafios

O Brasil tem tudo para exportar um volume recorde de milho em 2012, que poderia chegar a 15 milhões de toneladas, com a quebra de safra nos Estados Unidos elevando os preços, um câmbio favorável para vendas externas, uma oferta abundante no mercado interno e uma demanda global aquecida, com importadores buscando o cereal do país como alternativa à baixa oferta norte-americana.

Essa marca histórica, apagaria de longe o pico das exportações de milho do país, registrado em 2007, de 10,9 milhões de toneladas. Mas, segundo analistas e fontes do mercado, há desafios logísticos, de infraestrutura, de greves de órgãos públicos que reduzem o ritmo dos embarques, além do fato de o Brasil ter exportado um volume relativamente pequeno no primeiro semestre (1,8 milhão de toneladas).

Dessa forma, para atingir o volume entre 14 milhões e 15 milhões de toneladas, o Brasil teria que embarcar por mês pelo menos 2 milhões de toneladas. O recorde mensal de embarques de milho foi registrado em setembro de 2010, e não chegou a isso, ficando em 1,93 milhão de toneladas.

"No segundo semestre vai imperar praticamente o milho. Já começa a diminuir o ritmo dos embarques de soja no segundo semestre, então só tem praticamente o milho (nos portos)... Tem condições sim de chegar nos 15 milhões, é um número que poderemos adotar", afirmou o analista Aedson Pereira, da Informa Economics FNP, que avalia elevar sua projeção de 13-14 milhões de toneladas, considerando o movimento nos portos.

Ele observou que considerando os embarques previstos para junho --que em grande parte não chegaram ser efetivados, de 1 milhão de toneladas--, mais os 1,8 milhão de toneladas programados para julho, o país já teria exportações de 2,8 milhões de toneladas. Isso somado a mais 2 milhões de toneladas esperadas para agosto.

"Já existem tradings com previsão para embarcar em setembro, outubro e novembro, em pleno período de colheita nos Estados Unidos, e os preços estão variando de 34 reais a 35 reais (saca) nos portos", disse Pereira, citando valores muito bons para o produtor, considerando os 20 reais pagos no Mato Grosso.

O analista da Informa acrescentou que, mesmo com grandes exportações, os estoques não ficarão apertados, uma vez que o Brasil está colhendo uma safra recorde perto de 70 milhões de toneladas, segundo estimativas oficiais, e há estoques abundantes, com previsão de 12 milhões de toneladas na passagem de safra.

Greves

Por outro lado, há os históricos problemas logísticos do Brasil. "É sempre uma preocupação, é um momento propício para o Brasil se tornar o segundo exportador de milho na temporada (superando a Argentina e ainda ficando atrás dos EUA), e vamos bater de cara com problemas logísticos", disse Pereira.

Segundo um agente marítimo, a espera para atracação no cais público de Santos é de no mínimo 40 dias, enquanto nos terminais privados os navios para grãos têm que aguardar de 10 a 15 dias, mesmo tempo projetado para embarcações que transportam açúcar.

O fato de o Brasil ter exportado a grande maioria da soja prevista para ser embarcada no ano durante o primeiro semestre conta a favor do milho.

Por outro lado, os embarques de commodities agrícolas têm tido algum impacto de greves de servidores públicos, como os agentes sanitários que fiscalizam os navios antes da atracação.

O porto de Santos, segundo uma fonte do mercado, é um dos portos mais afetados pela greve dos fiscais sanitários, iniciada na semana passada.

Segundo fontes do setor, essas paralisações só não têm um impacto maior porque exportadores e agentes portuários usam de alguns artifícios, como a obtenção antecipada de documentos de "livre prática" emitidos pelos fiscais da saúde ou mesmo ordens judiciais em diversos portos que exigem a emissão do documentos pelos grevistas. Em Santos, não se tem notícia de que esta determinação judicial já tenha saído.

"Começa a formar fila... não sei até que ponto se pode atribuir a fila a esse tipo de greve... mas é evidente que daqui a pouco isso vai começar a incomodar", disse o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes, lembrando que os custos de frete marítimo despencaram, o que pode explicar a grande quantidade de navios na programação para embarques --há mais 80 nomeados para milho esperando nos portos brasileiros.

De qualquer forma, segundo ele, é preciso que o governo tome medidas para liberar as vias de exportação, considerando que na próxima temporada o Brasil colherá um recorde de soja, se o tempo colaborar.

"Temos que exportar uma quantidade de milho muito grande no segundo semestre, para bater recorde, e isso, para acontecer, tem que deixar as vias livres, para bater outro recorde no ano que vem que vai ser o de soja", acrescentou ele, apontando para exportações em 2012 de 14 milhões de toneladas do cereal.

Um corretor que atua no Paraná, que pediu para não ser identificado, disse que o setor não sentiu muito a greve dos fiscais sanitários, mas está preocupado com uma ameaça de paralisação de caminhoneiros, prevista para ocorrer na quarta-feira. Tal movimento poderia afetar as exportações, uma vez que boa parte dos produtos é transportado por rodovias.

Fonte: Reuters // Roberto Samora

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