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21
AGO
Soja: Demanda intensa e produção mundial no limite!

A força natural da demanda global por soja - que cresce de 10 a 15 milhões de toneladas por ano - deverá ser o fiel da balança nesse momento em que crescem as preocupações em torno da chegada da nova safra dos EUA. Embora superestimados pelos analistas de mercado, os últimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos)projetam a colheita 2018/19 do país em mais de 124 milhões de toneladas e assustou o mercado, mesmo que de forma bem pontual e temporária. 

Segundo explicam especialistas, o crescimento do consumo mundial da oleaginosa deverá continuar dando conta de todo esse aumento de oferta, mesmo em meio à guerra comercial entre China e Estados Unidos. Além do mais, chineses e americanos voltam a se reunir no final deste mês para retomar suas conversas e buscar um acordo que ponha fim na disputa tarifária entre as duas maiores economias do mundo. 

Além da China, com a procura ainda intensa pelo produto brasileiro, há rumores de que o Brasil já estaria considerando importar soja norte-americana - com conversas de 10 navios já fechados para o final do ano - para que os contratos de exportação de farelo e óleo, que também são maiores neste ano, possam ser cumpridos. 

Com o maior consumo também de proteínas animais mundo a fora, ainda como explica Brandalizze, a quebra na safra de trigo em boa parte do hemisfério norte em função de problemas climáticos também deverá puxar uma procura ainda maior pelo farelo de soja. "Com a mistura de milho com farelo de trigo comprometida, para a fabricação de ração, a demanda por farelo de soja vai ser ainda maior para compensar essa falta do trigo", acredita o consultor. 

É importante dizer, no entanto, que a pressão sazonal da entrada da nova safra americana no mercado será, como todos os anos, inevitável. "Acho q a estimativas de safra já não pressionarão tanto, já sabemos que será uma safra grande. A aproximação do período de colheita e a maior disponibilidade é que pressiona", diz Steve Cachia, diretor da Cerealpar e consultor do Kordin Grain Terminal, de Malta. 

Alternativas na China

Na China, com a disputa comercial ainda em andamento, as empresas têm buscado uma série de medidas que possam contribuir para atender à essa demanda crescente por soja. Segundo informações do site chinês China Daily, as processadoras teriam estoques suficientes até o início de 2019 e muitas já têm considerado, inclusive, importar produtos alternativos à oleaginosa. 

Especialistas ouvidos pela publicação da nação asiática, os estoques de soja estimados até o final de setembro serão 3 milhões de toneladas maiores do que no mesmo período do ano passado, o que justificaria esse abastecimento garantido até janeiro de 2019. 

Além disso, as empresas têm buscado ainda utilizar produtos como canola, semente de girassol, amendoim, caroço de algodão e palma. De acordo com Wang Changmei, diretor de informação de mercado do site Chinafeed,com.cn, esses são produtos que também possum alto valor alimentar e são bons caminhos para a produção de ração. 

A proteína bruta do farelo de amendoim chega a ser maior do que a da soja, a do farelo de caroço de algodão se assemelha e a de semente de girassol é cerca de 80% do correspondente no farelo de soja, explica Changmei. Ao mesmo tempo, um executivo da Cofco diz que a empresa tem buscado garantir e aprimorar essas alternativas para suprir um gap de oferta de soja de cerca de 4 milhões de toneladas caso a guerra China x EUA continue. 

Com boas margens de esmagamento - dados os bons preços do farelo, as importações de soja pela China, principalmente da América do Sul, registraram um significativo incremento de março a abril. E números mostram ainda que de maio a agosto, mais de 36 milhões de toneladas de soja em grão foram embarcadas para China em portos sul-americanos. E há volumes ainda já adquiridos que deverão ser embarcados entre setembro e outubro, com expectativas de chegarem aos portos chineses em novembro. 

Demanda cresce e produção está no limite

Se a demanda cresce de forma quase incontrolável, a produção mundial está no limite, ainda como afirma Vlamir Brandalizze. "Acredito em uma safra dos EUA em cerca de 119 a 122 milhões de toneladas no máximo, no Brasil teremos um pequeno aumento de área e na Argentina a situação é complicada para que isso aconteça", explica. "Estamos em um momento em que a produção está no limite". 

Para Brandalizze, hoje já podemos dizer que tudo o que se produz mundialmente de soja é consumido e que não é a guerra comercial que vai limitar esse avanço. Enquanto isso, os três maiores produtores do globo têm dificuldade para atender a todo esse consumo. 

Nos EUA, os atuais patamares de preços há muito não cobrem os custos de produção - os quais oscilam entre US$ 10,50 e US$ 11,30 por bushel - o que faz ainda com que os preços também não possam cair muito mais para não inviabilizar de forma ainda mais agressiva a safra americana. 

No Brasil, a consultoria Céleres, por exemplo, estima um crescimento de área na casa de 3,1%, o que resultaria em 36,17 milhões de hectares. A demanda intensa pelo produto brasileiro estimula esse aumento. Por outro lado, as incertezas ligadas à economia do país afetam as decisões dos produtores, especialmente aquelas ligadas ao dólar. 

"A área a ser plantada só não é maior devido à competitividade de milho no próximo verão, ao risco de valorização do real para 2019, às dificuldades operacionais e aos custos na logística de insumos, sobretudo fertilizantes, que estão sendo percebidos agora", disse a Céleres, em relatório. 

Na Argentina, o caso é ainda mais sério. A grave crise política e econômica que assombra o país há anos também impede que os produtores invistam para ampliar sua produção de forma substancial. Com resultados ajustados nas últimas safras, os investimentos também acabam por ser limitados. 

"Os produtores se encontram bastante apertados em função dos baixos preços das últimas 3 safras e algumas regiões importantes sofreram perdas significativas em 2016, 2017 e atingindo um recorde nesse ano de 2018 com uma quebra média de 35% em relação volume produzido no ano anterior (mais de 20 milhões de ton). O endividamento acumulado é pesado e vários produtores que funcionam como PJ desde o ano passado tem solicitado recuperação judicial. E a maior parte do cultivo de soja se realiza em áreas arrendadas - fala-se que ao redor de 70% -, cujos valores se situam na faixa de 20-25 scs/ha", explica o diretor da LucrodoAgro, Eduardo Lima Porto.

E se o câmbio é um problema para os sojicultores brasileiros, é um pesadelo para os argentinos. Em relação ao peso argentino, a moeda americana se valorizou quase 80% somente entre janeiro e julho de 2018 e a taxa referencial de juros está em 46% ao ano. 

Dessa forma, ainda como explica Lima Porto, "as operações de barter ou “canjes” são bastante difundidas, o que significou problemas enormes de cumprimento de contratos de entrega nessa safra em razão da quebra de produção, contribuindo para agravar o endividamento e a restrição de novos créditos. Com a inadimplência a níveis muito elevados e a intensidade da desvalorização da moeda, os fornecedores de insumos (fertilizantes e defensivos) reduziram as compras no exterior, seja pela indisponibilidade do capital que ficou comprometido no financiamento da safra anterior, seja pela insegurança causada pelo comportamento do dólar e a dificuldade de precificar as vendas", explica o executivo.

Não menos severo, há ainda o problema da intensa e elevada carga tributária argentinas sobre todos os itens da cadeia produtora, bem como sobre suas exportações. Lima Porto explica:

a) 30% de retenção sobre a receita bruta; b) IVA - 21% para fertilizantes, 10,5% para defensivos e sementes e 10,5% sobre o preço de venda (numa relação débito/crédito); c) 7 litros de diesel por hectare a título de um imposto sobre circulação de veículos e máquinas; d) USD 20,00/ha como imposto territorial rural.

"Será que dá para projetar uma safra cheia na Argentina?", questiona o diretor da LucrodoAgro. 

Fonte: Notícias Agrícolas 

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