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23
AGO
Soja cede espaço para milho e café nos embarques

Mauro Zafalon
Folha de S. Paulo

A soja libera as estradas e portos, cedendo lugar para milho, café e açúcar. Esse entra e sai de produtos na linha de exportações mantém o bom saldo do agronegócio.

Os primeiros 15 dias úteis deste mês apontam para um recuo nas exportações de soja para 4 milhões de toneladas, um volume bem inferior à média de 8,4 milhões de toneladas dos quatro meses imediatamente anteriores. Em abril, as exportações haviam atingido 10 milhões de toneladas.

Já o milho, após um ritmo acelerado nas vendas externas nos primeiros meses do ano uma forte queda a partir de maio, melhora o desempenho agora com o avanço da safrinha do cereal.

Mas as exportações do segundo semestre não serão intensas como as de igual período do ano passado. A demanda interna é crescente e deve consumir boa parte da produção vinda da safrinha.

Após recorde de 30 milhões de toneladas em 2015, as vendas externas deste ano devem somar pouco mais de 20 milhões. De janeiro a agosto somam 13,7 milhões.

Mesmo com a demanda interna aquecida, analistas da consultoria Horizon acreditam que o apetite internacional pelo milho da América do Sul ainda será forte, apesar da recuperação dos estoques norte-americanos.

A Argentina, com logística mais competitiva e sem a tributação imposta pelo governo anterior,de Cristina Kirchner, deverá ganhar a preferência do mercado externo.

O café, cuja colheita já atinge 90% da produção prevista, também está com as exportações aquecidas. Podem somar 2,5 milhões de sacas neste mês, ante 1,7 milhão no anterior, segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior.

As exportações de açúcar apontam para um final de mês em 2,8 milhões de toneladas, bem acima do volume de 1,8 milhão de igual período do ano passado.

Além do aumento de volume, haverá ganhos maiores com o produto, cujo preço médio subiu 25% no período.

As carnes, outro item importante da balança comercial brasileira, voltaram a ter bom ritmo. Terminam o mês com exportações próxima a 500 mil toneladas de produto "in natura".

A liderança fica com o frango, que terá vendas externas de 350 mil toneladas. Os preços, embora tenham melhorado neste mês, ainda ficam abaixo dos de há um ano.

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