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03
AGO
Produtores esperam recuperação da produtividade na safra de soja 2016/2017

Darlene Santiago
Faming

Os sojicultores brasileiros estão avaliando os custos de produção da safra de soja 2016/2017 e o mercado indica que falta fôlego para ampliar a área cultivada. De acordo com levantamento da consultoria Safras & Mercado, a área plantada com soja pode registrar um tímido crescimento de 0,9% na temporada 2016/2017, totalizando 33,488 milhões de hectares.

Até o início do plantio em setembro, o cenário pode mudar. Mas, até agora, uma coisa é certa: a maior expectativa é que a produtividade da oleaginosa volte à normalidade. “Fomos muito afetados pelo El Niño e tivemos uma produtividade média de 43,5 sacas por hectare na safra 2015/2016. Essa produtividade é muito fora da curva. A expectativa é voltar para a produtividade normal, entre 50 e 55 sacas por hectare”, diz Aurélio Pavinato, diretor presidente da SLC Agrícola. A companhia cultivou soja em uma área de 212 mil hectares na última temporada, em fazendas localizadas em seis estados brasileiros. “Ainda não divulgamos qual será a área plantada com soja na próxima safra, mas a tendência é de estabilidade”, diz Pavinato.

Já a Vanguarda Agro, que produziu soja em 200 mil hectares na temporada 2015/2016, vai reduzir a área plantada para 188 mil hectares na próxima safra. Segundo o CEO da Vanguarda Agro, Arlindo Moura, esse recuo é resultado de um planejamento de longo prazo que previa a devolução de áreas arrendadas na Bahia. “Essas áreas não tinham o melhor potencial produtivo. Estamos trabalhando com cautela, reduzindo área plantada e o nosso endividamento”, diz o presidente.

O aumento de produtividade também é a principal aposta da Vanguarda Agro para a próxima temporada. “Estamos com um conjunto de ações para termos a melhor perspectiva de produtividade, que inclui a compra de semente mais qualificada e plantio na época correta”, diz o presidente. Segundo Moura, a empresa se programou para concentrar o plantio de 98% da área de soja no mês de outubro. “Nossa previsão para a produtividade da soja é de 56 sacas por hectare”, diz o presidente. Na safra 2015/2016, a produtividade média alcançada pela Vanguarda Agro foi de 51,5 sacas de soja por hectare.

O custo de produção pode recuar

No Mato Grosso, o maior estado produtor de soja, as estimativas indicam aumento do custo de produção. De acordo com projeção Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custo total de produção deve avançar de R$ 2.958,37 por hectare na safra 2015/2016 para R$ 3.233,15 por hectare na temporada 2016/2017.

Porém, na prática, há indicativos de que o custeio pode ficar mais em conta. Com a desvalorização do dólar, os insumos importados ficaram mais acessíveis. “Os fertilizantes tiveram uma redução de preço em torno de 20%. De forma geral, em reais, o nosso custo ficou menor do que no ano passado, chegamos a R$ 2.900 por hectare”, diz Moura, da Vanguarda Agro. Segundo o CEO, a companhia já adquiriu 100% do volume total de insumos para a safra 2016/2017.

O câmbio que favorece a compra de insumos, por outro lado, torna os preços domésticos da soja menos atraentes. “O câmbio em R$ 3,30 continua sendo bom para o setor, mas é pior do que a taxa de câmbio do ano passado. Para termos alta rentabilidade e um crescimento mais forte, o adequado seria entre R$ 3,50 e R$ 4”, afirma Pavinato, da SLC Agrícola.

A previsão dos empresários é de que a taxa de câmbio se mantenha entre R$ 3,30 e R$ 3,40 durante a safra 2016/2017. Nesse caso, é preciso ficar ainda mais atento às oscilações do preço da soja na Bolsa de Chicago. “Mesmo quando o preço internacional caía, com o câmbio a R$ 4 a gente ganhava dinheiro. Agora, com o dólar nesse patamar, precisamos ter mais cautela”, diz Moura. De acordo com o CEO, a comercialização antecipada da soja está adiantada, sendo que a Vanguarda Agro já negociou 53% da safra de soja 2016/2017. “O preço em Chicago estava favorável há algumas semanas e nós aproveitamos a oportunidade”, diz Moura.

Crédito caro

Um fator que tende a limitar a expansão do plantio de soja é o crédito, que está mais escasso e com taxas de juros maiores, como resultado da crise econômica (leia mais: Endividamento e crédito mais caro vão desafiar a próxima safra de soja). “Teoricamente, a safra 2016/2017 seria um ano para aumento de área plantada da soja. Mas, na prática, por causa da limitação de crédito acredito que essa ampliação não vai acontecer”, opina Pavinato.

Grandes empresas produtoras de grãos pouco se beneficiam do crédito rural oferecido pelo Plano Safra, que tem um limite de contratação de até R$ 3 milhões por beneficiário. A SLC Agrícola investe cerca de R$ 1,2 bilhão para custear a safra de soja, enquanto o custeio da soja para a Vanguarda Agro está em torno de R$ 600 milhões. “Contratar crédito rural é um processo tão burocrático que às vezes para nós nem vale a pena”, diz Moura. “O cenário é de crédito caro e pouco dinheiro. Vamos ter de lutar com as armas que temos.”

Para Pavinato, da SLC Agrícola, ainda é possível que a soja ceda espaço para o milho, já que a quebra na produção 2015/2016 e os estoques baixos deixaram os preços domésticos do cereal muito atraentes para o produtor. “O milho pode recuperar um pouco da área que perdeu para a soja na safra passada”, opina Pavinato.

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