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23
MAR
Milho: Preços no Brasil têm recordes com demanda interna aquecida e consumo crescente

Carla Mendes
Notícias Agrícolas

A demanda interna extremamente aquecida e a pouca oferta de milho no Brasil levaram as cotações do cereal a baterem seu recorde na série histórica do Cepea nos últimos dias. O indicador Cepea/Esalq chegou a chegou a R$ 48,77 por saca, com alta acumulada no ano de mais de 30%. Nas principais praças de comercialização, os valores também estão elevados e em ascensão, bem como o que acontece nos portos, mas de forma mais limitada. Nesta segunda, o produto com embarque para setembro/16 foi a R$ 38,50 por saca no porto de Paranaguá.

"O mercado brasileiro, após as fortes exportações nesta temporada 2015/16 próximas de 31 milhões de toneladas, ficou escasso de milho, fazendo com que os grandes compradores busquem opções no milho vindo da Argentina e do Paraguai. No Brasil, a oferta só terá um alívio depois da segunda quinzena de junho, com a chegada da oferta da segunda safra", explica o analista de mercado Marcos Araújo, da Agrinvest Commodities.

Na BM&F, as cotações também acompanham a valorização e, nesta segunda-feira, foram ainda beneficiadas pela alta do dólar. Assim, o vencimento maio/16 terminou o dia com R$ 44,25 e alta de 2,19%; o setembro/16 com R$ 36,05, subindo 0,83% e o janeiro/16 com ganho de 1,35% para R$ 37,80 por saca.

Dessa forma, a expectativa de Araújo é de que os grandes compradores, nesse momento de escassez interna e para atender o consumo ainda muito firme, possam importar cerca de 1 milhão de toneladas do cereal. "Mas não acredito que os preços do milho possam ter grande quedas até a chegada da safrinha, que ocorre a partir do mês de junho. Então, o milho no Brasil segue sustentado", diz.

Além disso, os estoques brasileiros de passagem são baixos e agravam esse quadro. "Segundo a Conab, o estoque de passagem no final de janeiro (safra 2014/15) foi de 10,54 milhões de toneladas. Em fevereiro, 5,37 milhões de toneladas foram exportadas e, nas duas primeiras semanas de março, mais 1,18 milhão de toneladas, somando, portanto, 6,55 milhões de toneladas (números da Secex). O estoque disponível, então, teria baixado para cerca de 4 milhões de toneladas apenas", informou o Cepea nesta segunda-feira.

Ainda de acordo com os últimos números do Cepea, com um consumo de 58,32 milhões de toneladas na temporada 2015/16, a média mensal do Brasil seria de 4,86 milhões de toneladas, "ou seja, os estoques atuais não seriam suficientes nem para um mês", ainda de acordo com os pesquisadores do Cepea.

Em algumas das principais praças do Paraná, como Ubiratã, Londrina e Cascavel, o preço subiu 2,94% nesta segunda, para R$ 35,00 por saca; em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, alta de 1,37% para R$ 37,50 e em Sorriso, em Mato Grosso, ganho de 7,69$ R$ 28,00.

Há de se considerar ainda que a colheita da safra brasileira de verão está ligeiramente atrasada o que, ao lado de um volume menor, também contribui para um ajuste da oferta interna neste momento. E a situação de baixa disponibilidade de produto, ainda de acordo com analistas e consultores de mercado, está no Sul e Sudeste do Brasil, onde nem mesmo os leilões que vêm sendo realizados pela Conab são suficientes para atender a demanda. Além disso, trazer o milho que estaria disponível no Centro-Oeste, por exemplo, ficaria mais caro do que importar o produto de países vizinhos.

Bolsa de Chicago

Na sessão desta segunda-feira (21), os preços da soja também terminaram os negócios em campo positivo no mercado futuro internacional. As posições mais negociadas na Bolsa de Chicago terminaram a sessão com altas de pouco mais de 2 pontos. O contrato maio/16 fechou com US$ 3,69 por bushel, enquanto o março/17 foi a US$ 3,96 por bushel.

Novas altas entre os futuros do trigo e a boa demanda pelo grão norte-americano tem sido fatores de suporte importante para o cereal no mercado futuro norte-americano, segundo explicou o analista internacional do portal Farm Futures, Bob Burgdorfer.

"Para o milho, os preços FOB Golfo tem atraído demanda. Os basis no Golfo são competitivos até julho, quando Argentina já deve tomar a preferência do mercado. A recuperação da campanha americana de exportação tem sido rápida, porém ainda segue abaixo da média de 5 anos", completam os analistas da Agrinvest Commodities.

Na semana encerrada no dia 17 de março, os embarques milho dos EUA somaram de 1.013,668 milhões de toneladas ficaram acima do intervalo esperado - de 740 mil a 990 mil toneladas - e o total é maior ainda do que o registrado na semana anterior, quando foram embarcadas 815,149 mil toneladas. Em todo o ano comercial 2015/16, os EUA já embarcaram 17.568,738 milhõs, enquanto que no mesmo período do ano anterior o total era de 21.505,320 milhões de toneladas.

Além disso, o mercado internacional vê ainda uma grande incerteza sobre as condições de clima que a nova safra de grãos dos Estados Unidos enfrentará na temporada 2015/16, principalmente se o El Niño irá se converter em um La Niña e de que forma impactará o país. Paralelamente, há ainda os fundos de investimento voltando-se às commodities agrícolas, recomprando algumas posições e também ajudando na alta das cotações.  

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