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15
MAR
Quilo de café mineiro premiado em concurso vale R$ 142 no exterior

Lucas Soares
EPTV

É do alto da Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas Gerais, a uma altitude de cerca de 1,5 mil metros, que vem o café natural mais caro do mundo. Pelo segundo ano consecutivo, o café produzido pelo produtor Sebastião Afonso da Silva, do município de Cristina (MG), foi escolhido o melhor em 2015 pelos jurados do concurso "Cup of Excellence", alcançando uma pontuação de 94,47. Em 2014, quando também levou o título, o produtor conseguiu a maior nota já obtida em concursos para um café natural em todo o mundo: 95,18, em uma escala que vai até 100.

Apenas uma saca de 60 quilos desse café premiado chegou a ser vendida a R$ 9,8 mil para a Starbucks, dos Estados Unidos, a maior rede de cafeterias do mundo. A façanha foi tamanha, que representantes da empresa fizeram questão de viajar até o Sul de Minas para entregar ao produtor uma embalagem de 250 gramas do café, que estava sendo vendido ao preço de 40 dólares, nos Estados Unidos. "Eles marcaram o lugar e desceram de jatinho só para me entregar", recorda com orgulho o produtor.

E não para por aí. Todo o lote premiado, composto de 17 sacas de 60 Kg, foi vendido a US$ 48,5 mil, o equivalente a R$ 145 mil. O quilo do café premiado rendeu 142 reais ao produtor, enquanto o quilo de um café comum, tipo 6, bebida dura, rende R$ 8 conforme a última cotação. A valorização foi quase 18 vezes maior em relação ao mercado convencional.

A altitude, o clima e o solo favoráveis fazem com que a região da Mantiqueira consiga ter destaque na produção de cafés especiais. Atrelado a esses três fatores está o pós-colheita, que é o cuidado que o produtor precisa ter com o grão assim que ele sai do pé. Segundo Vanusia Nogueira, diretora da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), esses são os detalhes que fazem com que a Mantiqueira de Minas tenha destaque nos concursos especiais, principalmente na categoria "Cafés Naturais".

"Oitenta porcento do café produzido no Brasil é de café natural, é o café de terreiro, que é o concurso que o Sebastião ganhou. É o café normal que precisa de menos investimento de estrutura dentro de uma propriedade. Ele é muito bem aceito pela agricultura familiar, pelo pequeno agricultor no Brasil, que é maioria. Ele é muito mais difícil de secar. O café natural é aquele que seca com tudo e depois se tira a semente. Nos lavados, descascados, se tira toda a polpa e só a semente fica secando. O processo de secar a semente pura é muito mais rápido do que ficar com a fruta inteira esperando naturalmente a desidratação. Para isso acontecer de uma forma interessante, você precisa ter um período de umidade do ar baixa. Entre os nossos concorrentes, só o Brasil tem o período de safra seco", explica Vanusia.

A diferença que faz um café ser considerado especial em relação a um café normal, o café "commodity" está, além dos fatores naturais, no cuidado do produtor, principalmente no pós-colheita. Nesse tipo de produção, se preza a qualidade ao invés da quantidade. O cuidado com o grão impulsiona atributos que fazem o produto se tornar único.

"Os principais atributos são doçura, acidez e corpo. A doçura é uma das características que fazem o café especial brasileiro se tornar competitivo. Nenhum café especial é tão doce como brasileiro.

Quanto melhor essa combinação, maior nota ele vai conseguir na degustação profissional do concurso. Um fator que fez o café do produtor Sebastião se tornar inconfundível em 2014 e 2015 foi o aroma de chocolate. E isso mostra que não foi um acidente de percurso, já que durante dois anos consecutivos, ele conseguiu manter as mesmas propriedades", completa Vanusia.

A valorização que o café do produtor de Cristina alcançou é rara, já que a maioria dos lotes de cafés especiais de concurso são vendidos em média, a cerca de R$ 2 mil a saca. No entanto, segundo especialistas, mesmo os cafés que não são premiados em concurso conseguem uma valorização cerca de 30 a 40% maior do que o que é pago por um café comum, tanto no mercado externo, quanto no interno.

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