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18
JAN
Com três fábricas, Montes Claros vira polo de café em cápsula

Juliana Gontijo
O TEMPO

Minas Gerais tem uma forte relação com o café, já que é responsável por mais da metade da produção nacional do grão. Dos 853 municípios mineiros, 500 produzem a commodity. Só que a forma de apreciar a bebida vem mudando. Se antigamente o café era feito no coador de pano, agora ganham cada vez mais destaque as máquinas de café em cápsula. E não é para menos, já que segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a perspectiva é que o mercado para esse tipo de produto triplique até 2019 com a oferta de máquinas mais baratas, chegando a quase R$ 3 bilhões.

Em 2015, as vendas do produto no país alcançaram R$ 1,4 bilhão, alta de 34,61% frente o ano anterior (R$ 1,04 bilhão). Apesar do crescimento em valores, o café em cápsula ainda é pouco presente nos lares brasileiros. Do total de café consumido no país em 2014, 0,6% foi de café em cápsula. O café em pó detém a maior fatia, representa 81% do volume consumido, segundo a mais recente pesquisa encomendada pela Abic.

Embora, o consumo desse tipo de produto ainda seja baixo, as boas perspectivas de crescimento estão estimulando investimentos no setor. O mais recente foi a fábrica da Nescafé Dolce Gusto, em Montes Claros, no Norte de Minas, inaugurada pelo grupo Nestlé em dezembro do ano passado, com investimento de R$ 220 milhões.

Na mesma cidade, a Três Corações – joint venture entre a israelense Strauss e a brasileira São Miguel Holding – vai erguer uma unidade produtora de cápsulas, segundo o prefeito de Montes Claros, Ruy Adriano Borges Muniz. Ele diz que as obras da fábrica da Três Corações devem começar no primeiro trimestre deste ano. O investimento, que será feito em etapas, é da ordem de R$ 120 milhões.

O segmento de bebidas em cápsula fez com que outra empresa se interessasse em instalar em Montes Claros. A RPC Group, que tem sede no Reino Unido, está finalizando a negociação de terreno na cidade, conforme o prefeito. A previsão é que as obras sejam iniciadas no primeiro trimestre deste ano, com o início das atividades da planta em 2017. O investimento, que será feito em fases, está na casa dos R$ 250 milhões.

E os cafés em cápsulas vêm atraindo cada vez mais as marcas produtoras do produto. Em agosto do ano passado, a marca de café Pilão, no mercado desde 1978, ingressou nesse mercado com o lançamento de uma linha de bebidas. Atualmente, há mais de 70 empresas no Brasil atuando nesse segmento com seus próprios produtos. Em 2014, eram oito, segundo estudo elaborado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) em parceria com a Embrapa Café (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), divulgado nesta sexta.

Conforme o levantamento, o aumento do consumo foi impulsionado pela entrada de pequenas marcas, que têm a vantagem de comercializar o produto mais barato e adaptável a máquinas de diferentes marcas. O café em cápsula começou a ser comercializado no país em dezembro de 2006 com a chegada Nespresso, da Nestlé. A fabricação do produto é na Suíça.

Patente

Concorrência. A Nespresso lançou o café em cápsula na Europa em 1986. Em 2010, começou a disputa de mercado com as cápsulas genéricas no continente europeu. No Brasil, começou em 2012.

Mercado será mais disputado

A Cambraia Cafés – sediada em Santo Antônio do Amparo, no Sul de Minas – atua no segmento de cápsula há pouco mais de um ano. O produtor Rodrigo Cambraia conta que ingressou no mercado ao verificar que a área é uma tendência, com boas perspectivas de crescimento e que deve atrair mais produtores nos próximos anos. “Um das vantagens desse produto é a praticidade”, ressalta.
O empresário diz que atualmente há poucos concorrentes no mercado, mas que a tendência é que a disputa cresça com o aumento da oferta de prestação de serviço de encapsulamento.

Cambraia ressalta que uma das dificuldades é a distribuição. “Outro entrave são os sistemas fechados, ou exclusivos, onde a cápsula apenas se adapta a maquinas específicas”, observa.
Para ele, os consumidores que já possuem a máquina acabam mudando suas preferências. “O paladar muda, ajudando na migração do consumo dos cafés tipo tradicional e extra forte para os produtos superiores e ou gourmets”, analisa.

Em casa. O diretor executivo da Abic, Nathan Herszkowicz, aposta que o consumo de cápsulas continuará concentrado em casa em razão dos altos preços praticados nos estabelecimentos. “As pessoas têm procurado diferentes variações como os cafés gourmet, existindo uma consistente evolução para atender aqueles mais atentos à diferenciação de regiões, sabores, certificações, entre outros”, avaliou.

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